A Universidade de São Paulo deveria melhorar seu vínculo com seus ex-alunos? O exemplo de George Smoot

(Publicado originalmente dia 14 de dezembro de 2007 em http://stoa.usp.br/tom/weblog/12207.html)

Li agora pouco num tópico na comunidade Física do orkut sobre um novo centro de cosmologia fundado na UC Berkeley. Fique impressionado pela admirável atitude do físico George Smoot, laureado com o prêmio Nobel de Física em 2006, por ter doado $ 500 mil dos $ 700 mil que recebeu como prêmio. Realmente, achei louvável a iniciativa dele! Uma salva de palmas ao pesquisador! :-) (Mais sobre a atitude em US centre tackles the big questions)

Um colega, o Fernando, físico pesquisador da UFRGS, levantou um questionamento interessante:

Acho interessante como nos USA parece que é muito comum que ex-alunos façam doações aonde estudaram.

A minha curiosidade é se esse é um gesto de desprendimento (estou falando das doações em geral, e nao caso do Smoot) ou se tem vantagens fiscais?

PS: Mesmo que tenha vantagens fiscais, acho interessante.

Como é o tipo de vínculo e relação das universidades nos EUA, em geral, com seus ex-alunos?

Pergunto isso por causa de um exemplo que me veio à cabeça de um amigo que se formou comigo no IFUSP, fez o doutorado direto no Instituto de Astronomia e Geofísica (IAG) da USP e agora faz o pós-doc num Max Planck, na Alemanha.

Não é preciso dizer que esse meu amigo é um bom estudante, para ter chegado onde chegou. Lembro dele na USP, sempre muito disciplinado até mesmo na prática de esportes, não só nos estudos. Ele fazia as coisas que tinha que fazer com relação à pesquisa, mas não deixava de usar o centro poliesportivo da universidade (o CEPE).

Logo depois da defesa de tese dele, conforme está registrado na minha memória, lembro que ele tinha certa obrigação de ir na seção de pós-graduação do IAG para descadastrar a carteirinha dele. Ou seja, já no outro dia ele não teria nenhum vínculo formal com a universidade onde ele passou seus últimos 8 anos.

Um ex-aluno da USP, por não possuir carteirinha da universidade, não pode, por exemplo: entrar na universidade nos finais de semana com seu carro; não pode usar o CEPE; não pode retirar os livros das bibliotecas (alguém já viu as catracas para entrar no IAG?); não pode usar o hospital universitário, no caso de não morar nos arredores da universidade; não pode usar o restaurante universitário e por aí vai.

O Adriano, amigo que hoje faz seu pós-graduação no Instituto de Física Teórica da UNESP, ex-aluno de graduação em física da USP São Carlos, comentou ter ficado surpreso que ele pôde entrar no Stoa.

Tom, eu fiquei surpreso quando notei que podia ao menos me cadastrar no Stoa, sendo ex-aluno da USP.

Não tem mais nada que eu possa fazer como ex-aluno da USP.

Outro amigo, o Daniel, pós-doc na Brown University, também fez um comentário interessante sobre o assunto.

(1) As vantagens fiscais de *doações*, aqui nos USA, não são poucas. O abatimento do Imposto de Renda é fantástico. ;-) E, não me entendam mal: Eu não acho que isso diminui a “nobreza” do ato propriamente dito — Se o Bill Gates doa 30 BILHÕES de dólares porque abate do Imposto de Renda dele… eu não tô nem aí: o que importa é que tem MUITA pesquisa sendo feita por causa disso! :-P

(2) Tom, um exemplo de como se trata ex-aluno: Tenho um amigo formado em Ciências Políticas (bacharelado/undergraduate) aqui em Amherst (UMass Amherst). Agora ele faz o PhD dele aqui na Brown (também em Ciência Política: Comparative Politics). Um belo dia, ele precisava duns dados da ONU. Porém, a Brown ainda não tinha recebido o censo mais recente, enquanto que a escola dele possuía um único CD com tais dados. Ele ligou pra escola (de onde ele se formou há 2+ anos atrás!), se identificou, e explicou o que ele queria e o porquê. A *bibliotecária* não teve dúvidas: Pôs no correio pra ele, na hora! Sem titubear, sem xurumelas! Depois, quando ele já tinha feito uso dos dados e do CD (lembre-se, do ÚNICO CD disponível na biblioteca da escola!), ele foi devolvê-lo pessoalmente, pra agradecer a moçoila. :-)

Olha, não é todo lugar que é assim, mil-maravilhas. Amherst é uma escola pequena, as pessoas se lembram de vc, a coisa funciona dum jeito diferente, tem outro pique. Aqui na Brown, não só a escola mantém contato com os “alumnæ”, como também o Depto de Física mantém uma “newsletter”. Cazzo, a Brown manda a “Browm Magazine” pra casa dos meus pais, no Brasil! (Assim como também mandam pra casa de muito mais gente fora do país. ;-) Meu orientador se formou no MIT (bacharelado) e Harvard (pós) e, até hoje (!), recebe a “Aluminæ Magazine” de *ambas* as instituições… e já se vão uns bons 45+ anos!!!

Claro, num lugar com o tamanho da USP… isso é praticamente impossível, efetivamente inviável. Mas, isso não quer dizer que a “galera” não pode cooperar…

(3) Deixa eu te contar uma estória minha: Logo que eu cheguei aqui na Brown, por causa de burRocracias internas do Depto de Física (e da Escola de Pós-Graduação), eles precisavam de outro Histórico Escolar meu — como eu fiz algumas matérias da pós ainda como aluno do bacharelado, precisavam de outra cópia das coisas todas. Bom, como vcs bem sabem, *nada* acontece nas secretarias do IFUSP que não leve um mínimo de 15 dias… pelo menos era assim naquela época [jurássica, que é a minha]. Não dava pra esperar 15 dias: eu ainda era “fresco” aqui, não sabia como as coisas funcionavam, os caras estavam pressionando… e eu com medo: “Vai que dá algum xabú?! Putz, é tão difícil chegar até aqui, agora por causa duma besteira…”

Bom, fiz a única coisa que eu podia fazer: Encontrei o email da secretária de pós do IFUSP e mandedi uma mensagem, me explicando e tudo mais.

Resultado: no dia **seguinte** tinha um **PDF** no meu INBOX!!! :-P ;-)

Caraca, aquele PDF salvou a pátria! 8-)

Mas, minha questão é: Se eles podem fazer um atendimento tão rápido e flexível assim, por que é que, se eu estivesse lá, cara-a-cara com o fulano, ele não poderia simplesmente *imprimir* (apertando um único botão!) meu Histórico, na hora?!!! Por que 15 dias?!!!

É isso bixo… é isso que ‘mata’. O pessoal aqui costuma dizer que “good staff is paramount for a good business”, e estão cobertos de razão: quando vc lida com gente simpática, com um sorriso no rosto, que está se predispondo a te ajudar… TODO mundo fica mais FELIZ!

Isso não quer dizer NADA, eu sei; no final das contas todo lugar tem burRocracia, em todo lugar as coisas NÃO funcionam e tudo mais que a gente já conhece… mas, pelo menos, vc fica “bem enganado”! ;-)

Várias vezes eu precisei de “coisas” aqui e não deu pra acontecer por causa de burRocracia… mas, o pessoal costuma ser tão cortês e gentil que vc fica até contente que teve que conversar com tanta gente pra não conseguir nada! ;-)

Quem aqui nunca enfrentou situações semelhantes com relação à burocracia da universidade em suas secretarias? Não vou relatar meus exemplos (não hoje), pois estou de bom humor.

Me pergunto: a universidade não deveria ter um cuidade melhor (como? qual?) com seus ex-alunos, principalmente os que estão, realmente, sendo exemplos para o local de onde estudaram e para a sociedade? Que exemplos temos dos ex-alunos, mão-de-obra formada pela universidade, que mantiveram algum vínculo com ela? Temos casos de ex-alunos que fazem essas doações, como várias vezes já li ocorrer no EUA?

Não temos vários políticos, ex-estudantes de universidade públicas, com seus patrimônios são enormes, conforme podemos checar no site Excelências, da Transparência Brasil, que poderiam ajudar em projetos para o desenvolvimento da Universidade e consequente progresso para a sociedade? Alguém aqui conhece exemplos de ações nesse sentido, não apenas para simples promoções pessoais?

Talvez seja por isso, por exemplo, que algumas pessoas prefiram usar páginas de Internet até mesmo de empresas, ao invés de algo com o domínio da própria universidade onde estudaram, que, em muitos casos, chegou até a ser a primeira morada deles por um bom tempo.

Triste.

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Excertos de ‘Cultura Livre’: visão do Lessig sobre o uso do blog nos EUA

(Publicado originalmente dia 23 de fevereiro em http://stoa.usp.br/tom/weblog/43088.html)

Criei um post aqui no meu blog com trechos do livro do Lessig, ‘Free Culture’ (‘Cultura Livre‘), onde ele explica um pouco algumas coisas interessantes sobre o uso do blog nos EUA (link deletado do Stoa). Como recentemente descobri que há uma tradução do livro para o Português, vou repetir esse mesmo trecho nesse post. Como o site Trama Universitário oferece uma grande dificuldade para download, forçando o cadastro no site exiginto vários dados, acabei deixando o arquivo numa comunidade aqui do Stoa: download aqui (11 Mb) – descompactado PDF (16 Mb).

Seguem alguns trechos do livro do Lessig, Cultura Livre, capítulo 2: “Meros copistas”. Alguns grifos foram adicionados por mim. Ainda criarei um post comentando esse trecho.

[…]

O 11 de Setembro não foi uma aberração. Foi o começo. Mais ou menos na mesma época, uma forma de comunicação que tinha crescido geometricamente estava começando a entrar no imaginário popular: o weblog, ou blog. O blog é uma espécie de diário público e, em algumas culturas, como no Japão, funciona de forma muito parecida com um diário. Nessas culturas, ele registra fatos provados de um modo público – uma espécie de Jerry Springer, disponível em qualquer lugar do mundo.

Mas nos Estados Unidos, os blogs assumiram características bem diferentes. Há alguns que usam o espaço simplesmente para falar sobre sua vida pessoal. Mas há muitos que o usam para participar do debate público. Discutindo assuntos de importância pública, criticando outros que têm visões equivocadas e as decisões de políticos, oferecendo soluções para problemas que todos nós vemos. Os blogs criam a sensação de um encontro público virtual, mas um no qual nós não esperamos estar todos ao mesmo tempo e no qual as conversas não são necessariamente ligadas entre si.

Essa é uma afirmação polêmica. Mesmo assim, diz tanto sobre nossa democracia quanto diz sobre blogs. É a parte do país mais difícil de aceitar para aqueles entre nós que amam os EUA: nossa democracia atrofiou. Claro que temos eleições, e na maioria das vezes os tribunais permitem que essas eleições sirvam para alguma coisa. Um número pequeno de pessoas vota nessas eleições. O circuito das eleições se tornou totalmente profissional e rotineiro. A maioria de nós acha que isso é democracia.

Mas a democracia nunca se tratou de eleições. Democracia significa o governo pelo povo, mas governar significa mais do que meras eleições. Em nossa tradição, isso também significa controle através de debates racionais. Foi essa a idéia que capturou a imaginação de Alex de Tocqueville, o advogado francês do século XIX que escreveu o mais importante relato da jovem Democracia na América. Não foram as eleições populares que o fascinaram – foi o júri, uma instituição que deu às pessoas comuns o direito de escolher a vida ou a morte de outros cidadãos. O mais fascinante para ele foi que o júri não votava apenas no resultado que iria impor. Ele deliberava. Os membros discutiam sobre o resultado “certo”, tentavam convencer uns aos outros do resultado e, pelo menos em casos criminais, tinham que chegar a uma decisão unânime para pôr fim ao processo. [15]

Mesmo assim, essa instituição está esmorecida nos EUA de hoje. E, em seu lugar, não há nenhum esforço sistemático para facultar aos cidadãos o debate público. Alguns estão tentando criar essa instituição. [16] E, em algumas cidades da Nova Inglaterra, algo próximo a ela continua existindo. Mas, para a maioria de nós, na maior parte do tempo não há hora ou lugar para a discussão democrática.

De forma ainda mais bizarra, geralmente não há nem a permissão para que isso ocorra. Nós, a mais poderosa democracia do mundo, desenvolvemos fortes regras quando o assunto é discutir política. Tudo bem falar de política com quem concorda com você. Mas é falta de educação discutir política com gente que discorda de você. O discurso político tornou-se isolado, e discursos isolados tornam-se mais extremos. [17] Dizemos o que nossos amigos querem ouvir e ouvimos muito pouco além o que os nossos amigos dizem.

Entra em cena o blog. A própria arquitetura do blog soluciona uma parte desse problema. As pessoas escrevem quando querem escrever e as pessoas lêem quando querem ler. A maior dificuldade é o tempo sincrônico. Tecnologias que possibilitam a comunicação assíncrona, como e-mail, aumentam as oportunidades de comunicação. Os blogs permitem o debate público sem que o público precise se encontrar em um só lugar público.

Além da arquitetura, os blogs também solucionam o problema das regras sociais. Não há regra (até o momento) contra falar de política na esfera dos blogs. Essa esfera é cheia de textos políticos, tanto da esquerda, quanto da direita. Alguns dos sites mais populares são conservadores ou libertários, mas muitos são de todas as cores políticas. Mesmos blogs que não são políticos cobrem questões políticas quando o assunto se justifica.

A importância desses blogs hoje é pequena, mas não tão pequena assim. O nome de Howard Dean teria sumido das corrida eleitoral de 2004 se não fosse pelos blogs. Mesmo se o número de leitores for pequeno, os blogs estão produzindo efeitos.

Um efeito direto é sobre aqueles assuntos que tinham um ciclo diferente nos meios de comunicação de massa. O caso Trent Lott é um exemplo. Quando Lott “se expressou mal” em uma festa do Senador Strom Thurmond, basicamente elogiando as políticas segregacionistas do senador, ele calculou corretamente que o assunto desapareceria da grande mídia em 48 horas. E desapareceu. Mas não calculou o ciclo da notícia nos blogs. Os blogueiros continuaram pesquisando a história. Com o tempo, mais e mais estâncias de Lott “se expressando mal” apareceram. Finalmente, o assunto voltou à grande mídia. No final, Lott foi forçado a renunciar como líder da maioria do senado. [18]

Esse ciclo diferente é possível porque as pressões comerciais que existem em outros veículos não existem nos blogs. Jornais e redes de televisão são entidades comerciais. Eles têm que trabalhar para manter a atenção. Se perdem leitores, perdem dinheiro. Como tubarões, eles devem se manter em movimento.

Mas blogueiros não sofrem constrições similares. Eles podem ficar obcecados, podem se concentrar, ir a fundo. Se um blogueiro em particular escreve um texto particularmente interessante, mais e mais pessoas linkam aquele texto. Se o número de links para um texto qualquer aumenta, ele sobe no ranking. As pessoas lêem o que é popular e o popular é selecionado por um ranking muito democrático, criado por outros blogueiros.

Há uma segunda razão, ainda, para que os blogs tenham um ciclo diferente da grande mídia. Como me explicou Dave Winer, um dos pais desse movimento e desenvolvedor de software por várias décadas, outra diferença é a ausência de “conflito de interesses”. “Eu acredito que o conflito de interesses deve ser tirado do jornalismo”, me disse Wiener. “Um jornalista amador não tem conflito de interesses ou seus conflitos são tão fáceis de revelar que você meio que pode tirá-los da frente.”

Esses conflitos se tornam mais importantes à medida que os meios de comunicação se tornam mais concentrados (mais sobre isso abaixo). Empresas de comunicação mais concentradas podem se esconder melhor do público do que as menos concentradas – como a CNN admitiu ter feito depois da guerra do Iraque por medo das conseqüências para os seus empregados. [19] Empresas concentradas também precisam sustentar relatos mais coerentes entre si. (No meio da guerra do Iraque, li um texto na Internet de alguém que estava escutando um link de satélite de um repórter no Iraque. O quartel-general em Nova York repetia para a repórter que seu relato da guerra era muito desolador: ela precisava oferecer uma matéria mais otimista. Quando ela disse que isso não tinha fundamento, o pessoal em Nova York disse que eles estavam escrevendo “a história”)

Os blogs dão aos amadores um jeito de entrar no debate – “amadores” não no sentido de “inexperiente”, mas no mesmo sentido de um atleta olímpico, o de não estar sendo pago por ninguém para escrever seus relatos. Isso permite uma gama muito maior de perspectivas sobre um tema, como revelou os relatos do desastre da Columbia, quando centenas de pessoas no sudoeste dos Estados Unidos foram para a Internet contar o que viram. [20] Tal coisa também leva os leitores a ler relatos em toda gama e, nas palavras de Winer, a “triangular” a verdade. Os blogs, diz Winer, “se comunicam diretamente com a freguesia, sem nenhum intermediário” – com todos os benefícios, e custos, em que isso pode resultar.

Winer é otimista a respeito do futuro do jornalismo infectado pelos blogs. “Essa será uma habilidade essencial”, prediz Winner, “para pessoas públicas e cada vez mais para pessoas particulares também”. Não está claro se as empresas jornalísticas estão felizes com isso – alguns jornalistas ouviram dos empregadores que deveriam se dedicar menos aos blogs. [21] Mas está claro que ainda estamos em transição. “Muito do que estamos fazendo agora são exercícios de aquecimento”, me disse Winer. Há muita coisa que precisa se desenvolver antes desse espaço ter um efeito maduro. E, uma vez que a inclusão de conteúdo nesse espaço é a forma de uso da Internet que menos infringe o copyright, “vamos ser a última coisa a ser fechada”, disse Winer.

Esse debate público afeta a democracia. Winer acredita que isso acontece porque “você não tem que trabalhar para alguém que controla, para um sentinela”. É verdade, mas os blogs afetam a democracia também de outra forma. Com mais e mais cidadãos expressando o que pensam, e defendendo isso por escrito, os blogs vão mudar o modo de as pessoas entenderem questões públicas. É fácil estar errado ou enganado em sua cabeça. É mais difícil quando o produto de sua mente pode ser criticado por outros. Um ser humano que admite ter sido convencido de que está errado é raro, claro. Mas é ainda mais difícil para um ser humano ignorar quando alguém prova que ele está errado. Escrever idéias, discussões e críticas melhoram a democracia. Hoje existem provavelmente uns poucos milhões de blogs com esse tipo de texto. Quando existirem 10 milhões, será algo extraordinário.

Essa parte é importante, já que algumas pessoas questionaram sobre o uso de blogs aqui no Stoa-USP para discutir política, uma rede social onde cada membro da universidade possui um blog.

E Lessig continua explicando sobre como essas tecnologias podem influenciar o aprendizado, o principal objetivo do projeto Stoa, oferecer ferramente para melhorar o aprendizado

[…]

John Seely Brown é o cientista-chefe da Xerox Corporation. Seu trabalho, como descrito em seu site, é “aprendizagem humana e […] a criação de ecologias de conhecimento para criar[…] inovação”.

Brown, portanto, vê essas tecnologias de criatividade digital de maneira um pouco diferente das perspectivas que rascunhei até agora. Estou certo de que ele se empolgaria com qualquer tecnologia que pudesse aprimorar a democracia. Mas ele fica empolgado de verdade com tecnologias que afetam o aprendizado.

Brown acredita que aprendemos experimentando. Quando “muitos de nós estávamos crescendo”, explica ele, os experimentos eram feitos em , “motores de motos e cortadores de grama, carros, rádios e assim por diante”. Mas as tecnologias digitais propiciam uma espécie diferente de experiências – com idéias abstratas em forma concreta. Os jovens no Just Think! não pensam só em como um comercial retrata um político; usando tecnologia digital, eles podem desmontar o comercial e manipulá-lo, fazer experiências com ele para descobrir como ele faz o que faz. As tecnologias digitais inauguraram uma espécie de bricolagem, ou “colagem livre”, como Brown a chama. Muitos adicionam algo ou transformam uma experiência feita em conjunto com vários outros.

O melhor exemplo em larga escala desse tipo de experiência até hoje é o software livre, ou de código aberto (Free Software/Open Source Software = FS/OSS). Os FS/OSS são softwares cujo código-fonte é compartilhado. Qualquer um pode baixar a tecnologia que faz um FS/OSS funcionar. E qualquer um ansioso por aprender como um pedaço em particular de um FS/OSS funciona pode experimentar com o código.

Essa oportunidade cria uma “espécie completamente nova de plataforma de aprendizado”, como descreve Brown. “Assim que você começa a mexer no código, você […] liberta uma colagem livre na comunidade, para que as outras pessoas comecem a olhar seu código, experimentar com ele, testá-lo, ver se podem melhorá-lo.” Cada tentativa é uma forma de aprendizagem. “O código aberto se torna uma importante plataforma de aprendizagem.”

Nesse processo, “as coisas concretas com as quais você experimenta são abstratas, são códigos”. Os jovens estão “mudando para a habilidade de experimentar com o abstrato e essa experimentação não é mais uma atividade que você faz isolado em sua garagem. Você está experimentando em uma plataforma comunitária […]

Você está fazendo experiências com o trabalho dos outros. E, quanto mais você experimenta, mais você o torna melhor”. Quanto mais você o torna melhor, mais você aprende.

As mesmas coisas também acontecem com conteúdo, acontecem da mesma forma colaborativa quando o conteúdo é parte da web. Como Brown coloca, “a web é o primeiro suporte que realmente faz jus a múltiplas formas de inteligência”. Tecnologias anteriores, como a máquina de escrever e processadores de texto, ajudavam a aumentar textos. Mas a web amplia muito mais do que texto. “A web […] diz que se você é musical, se você é artístico, se é visual, se está interessado em cinema […] então há muito que você pode fazer nesse meio. Ela pode aumentar e fazer jus a essas múltiplas formas de inteligência.

[…]

Apenas para lembrar todo mundo, todos softwares usados no projeto Stoa são livres e de código aberto. Mais detalhes sobre isso mais tarde. Coincidentemente, estou sendo um mero copista nesse post de blog. :-)

Referências

[15] Ver, por exemplo, Alexis de Tocqueville, Democracy in America, livro 1, trans. Henry Reeve (Nova York: Bantam Books, 2000), cap. 16.

[16] Bruce Ackerman e James Fishkin, “Deliberation Day”, Journal of Political Philosophy 10 (2) (2002): 129.

[17] Cass Sunstein, Republic.com (Princeton: Princeton University Press, 2001), 65-80, 175, 182, 183, 192.

[18] Noah Shatchman, “With Incessant Postings, a Pundit Stirs the Pot”, New York Times, 16 de janeiro de 2003, G5.

[19] Entrevista por telefone com David Winer, 16 de abril de 2003.

[20] John Scwartz, “Loss of the Shuttle: The Internet; A Wealth of Information Online”, New York Times, 2 de fevereiro de 2003, A28; Staci D. Kramer, “Shuttle Disaster Coverage Mixed, but Strong Overall”, Online Journalism Review, 2 de fevereiro de 2003, disponível no link #10.

[21] Ver Michael Falcone, “Does an Editor’s Pencil Ruin a Web Log?”, New York Times, 29 de setembro de 2003, C4. (“Nem todos os veículos de notícia aceitam empregados que tenham blogs. Kevin Sites, um correspondente da CNN no Iraque que criou um blog sobre sua cobertura da guerra no dia 9 de março, parou de postar depois de 12 dias a pedido de seu chefe. Ano passado, Steve Olafson, um repórter do Houston Chronicle, foi demitido por manter um blog pessoal, publicado sob um pseudônimo, que tratava de assuntos e pessoas que ele cobria.”)