As crianças de Realengo e as crianças abandonadas do Brasil

Há um bom tempo quero escrever sobre algo que me incomoda muito, o número de crianças que vejo abandonadas e nossa (minha também) omissão diante dessa situação. Vou ser breve agora sobre um ponto que me chamou atenção por causa da barbárie que ocorreu no Rio de Janeiro.

Nas regiões que ando com mais frequência no meu dia-a-dia, centro e zona oeste da cidade de São Paulo, vejo crianças dormindo nas ruas, trabalhando nas ruas – muitas forçadas pelos pais -, trabalhando nos semáforos, prostituindo-se, usando drogas pesadas. Sem falar nas crianças abandonadas nas chamadas escolas, essas também abandonadas pela sociedade.

Para termos uma idéia da inversão de valores da administração pública e dos representantes do povo da cidade em que vivo, um exemplo que vi, na última semana, durante a apresentação de um balanço do plano de metas da cidade depois de dois anos (veja página 7 aqui). Ainda temos 100 mil crianças que não tem acesso à creche, de uma demanda de 230 mil. Estamos atrasados para atingir essa meta. Segundo Mauricio Faria, que apresentou o balanço, houve uma parceria da cidade de São Paulo com o estado de São Paulo, no valor de R$ 60 milhões, para a construção de mais creches. Em contraposição, foram gastos R$ 2 bilhões na ampliação das marginais. É 33 vezes o valor para a construção das creches! Ora, se estão faltando vagas para as crianças, o que é mais importante? (Não quero dizer que o problema do transporte deve ser esquecido, nem pretendo levantar nada agora sobre os métodos adotados para atacar esse problema.)

Diante desse quadro de abandono das crianças – milhares, talvez milhões, se levarmos em conta as chamadas escolas! -, pelo menos na cidade que vivo – ainda pretendo fazer um relato mais detalhado -, o que não deve ser muito diferente no resto do país, alguém me explica por que tanto falam, só agora, do futuro que poderiam ter as 12 crianças assassinadas no Rio de Janeiro? Ou sobre a tentativa alucinada de achar um culpado (o maluco já está morto) para essa tragédia?

Sobre o jornalismo marrom, não é necessário explicação. É de se esperar o uso de tragédias apenas para vender jornal. O que não consigo entender é esse momentâneo surto de preocupação com o futuro das crianças, sendo que todo dia pouco ouço sobre as crianças abandonadas do Brasil. Para essa situação, sim, deveríamos refletir sobre os culpados: todos nós.

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Fotos de São Paulo no Commons

Fotos enviadas no concurso fotográfico relâmpago para concorrer a um jantar no Galeto’s.

Christian Sznick

Vista da Avenida São João e do Centro de SP a partir do Ed. Martinelli

Névio Carlos de Alarcão

Estação da Luz

Felipe Fagundes

Manifestação contra aumento da passagem de ônibus

Avenida Paulista

Jean Michel Gallo Soldatelli

Senhor andando na chuva indo buscar pão na Vila Madalena

 

Brecha de uma porta que leva a um jardim secreto na Vila Madalena

Intervenção de um pedaço de concreto na Aspicuelta

Guilherme Borducchi

Tunel de ligação entre Avenida Dr. Arnaldo e Avenida Paulista. São Paulo, Brasil.

Tetris Urbano. Trânsito na Avenida Dr. Arnaldo.

Enzo Ozawa

Bicicleta e Ibirapuera

Céu azul em São Paulo

Foto tirada na Av. 9 de Julho


Envie fotos de São Paulo no Wikimedia Commons e concorra a um jantar no Galeto’s

Por fim: problema com o uso do nome do restaurante resolvido, após outro comentário da Silva dizendo que eles apóiam a iniciativa.

Nota sobre a competição fotográfica: após notificação da Silvia, num comentário nesse post, que se apresentou como do setor de marketing do restaurante, dizendo que eles podem tomar medidas judiciais e extrajudiciais (o que seriam? vão me bater? : P) cabíveis porque o prêmio é um jantar no restaurante deles, estou adicionando essa nota. A promoção não tem relação alguma com o restaurante. Eu pensei em estimular uma competição para termos mais fotos – com licenças livres – de São Paulo e, como tinha um bilhete que dá direito ao jantar, que inclusive vence hoje, decidi dar como prêmio. Talvez eu deveria ter deixado isso claro, pois não sabia que não posso citar o nome de uma marca de um prêmio de uma eventual competição cultural que eu criar (não posso, mesmo?).

Vencedor: a foto que ganhou a competição foi a Senhor andando na chuva para busca pão na Vila Madalena, de Jean Michel Gallo Soldatelli. Já entrei em contato com o ganhador por email para ver como posso entregar o bilhete.


Promoção relâmpago! Envie uma ou mais fotos da cidade de São Paulo no Wikimedia Commons, site usado para hospedar imagens, áudios e vídeos usados nos projetos da Fundação Wikimedia, como a Wikipédia, e concorra a um jantar no Galeto’s. Você ganhará um Galeto Clássico ou Desossado com um dos acompanhamentos.

Regras

1. As fotos podem ser enviadas até as 18h 19h de hoje, dia 31 de janeiro de 2011. As fotos devem representar de alguma forma a cidade de São Paulo, serem de sua autoria e estarem publicadas no site Wikimedia Commons, a partir do início da promoção.

2. Coloque o link para sua foto ou fotos, devidamente enviando para o Wikimedia Commons, aqui nesse post para que ela possa concorrer.

3. A partir das 18h 19h, horário máximo para o envio do link aqui no espaço de comentários,  as fotos serão analisadas por mim. O resultado do vencedor será divulgado nesse blog, às 19h30.

4. O bilhete que dá direito ao jantar deverá ser pego hoje comigo na região da Av. Paulista, a partir das 19h30.

Observação: imagens com licenças Creative Commons com restrições do tipo Não Comercial (NC) ou Não Derivados (ND), que proíbem o uso comercial ou fazerem trabalhos derivados, não são permitidos no Wikimedia Commons.

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Atualizações:

– dia 31/01/2011: Às 15h55: Fotos enviadas até o momento. Às 17h55: estendi o prazo para o envio das fotos por 1 hora! Agora é possível enviá-las até 19h. Às 19h45: anúncio do vencedor. Às 22h10: coloco, de modo explícito, que a competição não tem nada a ver com o restaurante e partiu de uma iniciativa, única e exclusivamente, minha.

– dia 02/02/2011: Às 10h15: Adicionada nota explicando que o problema com restaurante foi resolvido.


Apresentações artísticas não estão proibidas na Av. Paulista, dizem PMs

Hoje voltando para casa pela Av. Paulista, próximo ao shopping Center 3, me lembro do caso do rapaz que costumava tocar guitarra próximo à Rua Augusta, nessa mesma avenida, e foi preso recentemente. Decido perguntar para dois policiais militares se manifestações artísticas estão proibidas. Eles me disseram que não, que fazer apresentações artísticas e ganhar dinheiro com isso não está proibido. O que é proibido é a comercialização de sua arte, exceto no caso do artista ter legalizado sua atividade comercial junto à prefeitura.

Outra coisa que os dois policiais disseram ser proibido é o uso de amplificadores, exceto, novamente, com premissão da prefeitura. No caso do rapaz preso, como ele tocava guitarra, imagino que estava usando amplificador. Não sei ainda o que houve, portanto é necessário um relato dos que estavam próximos quando ocorreu a prisão, para confrontar com o boletim de ocorrência (temos acesso?). Os policiais cogitaram que pode ter ocorrido algum desacato, mas ficou tudo no campo da hipótese.

Amanhã haverá uma manifestação na Av. Paulista pelo direito da manifestação artística. Gostaria de saber se alguém mais perguntou para os policiais o que está e o que não está proibido.

Nesse post preferi apenas relatar o que os policiais com quem conversei responderam às minhas perguntas, sem entrar nos vários detalhes envolvidos no caso, como a comercialização de sua própria arte, uso de amplificadores etc..


A própria prefeitura descumpre lei do PSIU após as 22h

Agora estou entendendo melhor toda discussão sobre a mudança da lei do PSIU, proposta pelo vereador Carlo Apolinário e aprovada pela Câmara municipal de São Paulo, que veta a denúncia anônima. Cheguei hoje em casa às 21h30 após um longo dia de trabalho. Cansado, ao deitar em minha cama para estudar para o curso da DiploFoundation que ganhei bolsa, começo ficar incomodado com o barulho constante de uma britadeira no meio da R. da Consolação. Veja no vídeo abaixo o registro a partir da janela do meu  quarto.

[blip.tv ?posts_id=3400467&dest=-1]

Procurando na Internet, achei na própria página da prefeitura sobre a tal lei do PSIU, que diz:

Os limites de ruído são definidos pela Lei de Zoneamento. Nas zonas residenciais, é de 50 decibéis, entre 7 e 22 horas. Das 22 às 7 horas, cai para 45 decibéis. Nas zonas mistas, das 7 às 22 horas fica entre 55 e 65 decibéis (dependendo da região). Das 22 às 7 horas, varia entre 45 e 55 decibéis. Nas zonas industriais, entre 7 e 22 horas fica entre 65 e 70 decibéis; Das 22 às 7 horas, entre 55 e 60.

Liguei para o número informado na própria página da prefeitura, 156. Para meu espanto, a atendente disse que só poderia enviar o fiscal se o barulho estivesse ocorrendo com frequência há dias. Informei que me lembrava sobre um dia da semana passada ter ouvido a britadeira após as 22h, mas como saí de casa, acabei nem reclamando. Fui recomendado ligar a o 190, o que fiz prontamente.

[blip.tv ?posts_id=3400502&dest=-1]

Isso já era 22h15. Após esperar 15 minutos pela viatura e nada dela aparecer, decidi eu mesmo ir lá embaixo falar com o responsável (veja o vídeo acima). Um dos trabalhadores me indicaram o Hélio, que estava do outro lado da Consolação. O responsável pela obra veio conversar comigo. Indaguei se ele não sabia que após as 22h não era permitido ter a britadeira funcionando. Ele me disse que sim, sabia do fato, mas como haviam começado a perfurar a calçada, deviam ir até o fim, ou poderiam ser prejudicados (= perder o emprego) se não obedecessem as ordens de seu superior (quem é o responsável pelo responsável da obra?). Após eu argumentar que cheguei cansado, que era errado o que estavam fazendo, o que ele concordava, ele me disse que em 10 minutos desligariam a britadeira. De fato, ele cumpriu o prometido. Isso já era 22h40. No vídeo abaixo gravo o caminhão e Kombi da prefeitura.

[blip.tv ?posts_id=3400543&dest=-1]

Ao voltar para casa, recebo uma ligação de alguém da polícia militar informando que a viatura havia chegado no local e me recomendou ir falar com o policial para poder registrar a queixa. A polícia também iria verificar se eles tinham autorização para a obra, segundo a mulher que me ligou. Uma coisa curiosa é que a polícia não poderia pedir para pararem a obra, caso tivessem a autorização.

Chegando novamente lá embaixo, o policial estava conversando com Hélio, o responsável pela obra. Me identifiquei como o cidadão incomodado com tudo isso. Informei o cabo Cabral que já estava tudo resolvido, pois a britadeira de fato parou após os 10 minutos prometidos. Também notei que Hélio avisou o policial que esqueceu a pasta com o alvará da obra, coisa que ele disse sempre trazer.

O policial anotou meu RG e nome, e ficamos nisso. Tanto o funcionário da prefeitura, quanto o policial, disseram que a situação era complicada, pois nessa região é proibida a obra no período da manhã e, no período da noite, após começarem a obra, deve-se ir até o final (N. B. a calçada está toda esburacada agora. Se fossem mesmo terminar tudo, imagino que passariam a madrugada com a britadeira ligada).

Fico com algumas perguntas: se o própria prefeitura descumpre a lei em vigor (que mudaram para pior!), apesar de minhas dúvidas quanto a eficiência de sua fiscalização, a quem devemos recorrer?

Felizmente, ter conversado com o responsável parece ter sido a forma mais eficiente de resolver o problema (a polícia demorou 30 minutos, o batalhão fica a uma quadra de casa), pelo menos provisoriamente. Estou cético que nos outros dias irão respeitar a lei e não terei, novamente, que perder 1 hora para resolver o problema sozinho, mais uma hora para relator o ocorrido. Perdi minhas 2 horas de estudo de hoje.

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Finalmente, voltando a escrever para o Adote um Vereador!

Após um bom tempo sem escrever para o Adote um Vereador, finalmente vou voltar a escrever e participar através do meu blog sobre o projeto. Ao invés de criar um novo blog, vou criar uma categoria chamada ‘Adote um Vereador’. Antes vou recuperar todos meus textos apagados do blog que fora criado no Stoa.

Andei um pouco afastado apenas com relação a blogagem, mas tenho acompanhando o vereador que adotei, Floriano Pesaro, principalmente via o twitter dele @floriano45. Troquei diversas mensagens e alguns emails com o vereador no meio tempo, o que pretendo relatar em breve. Apesar que, como falei para a Manuella, quem fez a pesquisa, não gostaria que meu nome estivesse como um dos fundadores, principalmente porque a ferramenta wiki está sendo sub-utilizada (pretendo reverter esse quadro ao longo desse ano!).

A responsabilidade aumentou mais após a pesquisa sobre o projeto, para o Global Voices, ser publicada Adote um Vereador on Technology for Transparency.

Após quase um ano no poder, é preciso fazer uma análise crítica dos projetos de lei aprovados e submetidos pelo vereador. Quem quiser me ajudar na análise do trabalho do Pesaro, seja bem-vindo!


Chinês, grego, persa ou alguma outra língua?

(Publicado originalmente 19 de março de 2008 em http://stoa.usp.br/tom/weblog/18708.html Nota: Há poucos meses optei por aprender árabe, mas isso merece um post explicativo, que farei em breve)

Estou cogitando aprender alguma língua por diversão e, sem pesquisar muito, essas línguas do título do post são algumas que já tinha em mente há um bom tempo, por motivações diversas não muito bem definidas ainda. Quero alguma língua com um alfabeto diferente do latino.

Se for levar em conta o número de nativos que falam a língua, certamente chinês ser a primeira na minha lista. Para ler algo original dos gregos, que ainda quero ler muito, como disse num post antigo, acredito a melhor opo ser o grego mesmo (apesar que pretendo estudá-los lendo mais as traduações para o inglês, pois desconfio que ser mais provável achar algo melhor do que em português, além de ter mais livros e textos disponíveis gratuitamente na Internet em inglês). Uma terceira opção é o persa, mais por causa de uma amiga que tenho no Irã, que conheci pela Internet. Também porque ouvi algumas músicas iranianas que me pareceram legais. Ou seja, minhas motivações ainda estão pouco definidas.

Fui pesquisar agora pouco sobre outros alfabetos, para analisar outras possibilidades, e a Wikipedia tem um artigo interessante, que acabou me deixando com mais dúvidas, History of the alphabet. Talvez vou acabar escolhendo alguma língua oriental, vamos ver. A escolha do grego talvez seria muito ocidentocêntica. :-P Sobre o chinês, desconfio que poderão sugir cada vez mais e mais trabalhos interessantes produzidos na China e disponíveis na Internet, como já podemos ver através da lista de universidade chinesas no OpenCourseWare Consortium. Também tenho motivações toscas para escolher o chinês. Apesar de não parecer, tenho tataravós chineses (junto com toda a misturada européia) e a comida que mais gosto é a chinesa (pelo menos a ocidentalizada :-).

Se algum estuda alguma língua com algum alfabeto diferente do que estamos acostumados, gostaria de saber qual sua principal motivação. Quem sabe não acabo descobrindo algo legal que eu ainda no sei sobre essas outras línguas? :-)

Duas páginas boas com cursos gratuitos de várias lnguas: Free Online Language Courses e FSI Language Courses. Pesquisando na Internet deve existir muito mais.