Governador avalia planos de privatização da USP em reunião com reitora

Segue o texto que causou meu afastamento do Stoa, publicado dia 1º de abril numa comunidade do Stoa por volta das 18h e, logo na madrugada do dia 2, coloquei uma atualização sobre o texto ser uma brincadeira. Dia 14 de abril, após os então administradores ficarem sabendo que o caso repercutiu mal na reitoria da USP, os administradoress colocaram um aviso gritante no início do texto dizendo que era tudo no contexto de 1º de abril.

Segue o texto, incluindo os avisos do dia 14 de abril e do dia 2 de abril.

O seguinte texto foi escrito no contexto do “1 de abril – Dia da
Mentira”. Como diz muito bem o jornal G1:  “a tradição do “Dia da
Mentira” ultrapassa as brincadeiras entre amigos e pode atingir a
mídia de todo o mundo, se espalhando com muito mais facilidade por
maldade de quem cria as falsas notícias ou por ingenuidade de quem a
publica.”

Sentimos por qualquer inconveniente que esta falsa notícia tenha
causado e por não ter avaliado bem as suas consequências.

Equipe Stoa – 14 de abril de 2009

Veja a “notícia” original:

José Serra encontrou-se hoje com a reitora da USP, Suely Vilela, para
discutir planos de privatização parcial da Universidade de São Paulo
até 2014

Do G1, em São Paulo

O governador José Serra esteve hoje com a reitora da Universidade de
São Paulo Suely Vilela para discutir possíveis planos de privatização
de setores da USP até o ano de 2014. A reunião aconteceu no Palácio
dos Bandeirantes e contou também a presença do ex-ministro Paulo
Renato, que assume a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo no
próximo dia 15.

Alguns pontos discutidos foram a segurança nos campi da USP,
especialmente a Cidade Universitária, e o sucateamento das instalações
e equipamentos da universidade. Colocou-se em pauta a extensão do
trabalho das fundações que já atuam em unidades da Universidade como a
FEA (Faculdade de Economia, Administração e Ciências Contábeis),
Escola Politécnica de Engenharia e Escola de Comunicação e Artes.

O plano é transferir, até o ano de 2014, o controle de setores
essenciais ao funcionamento da universidade para as mãos de grupos
privados. Entre esses setores, estariam a gestão financeira dos
recursos da USP e a contratação de professores e funcionários. “O
interesse privado tem totais condições de administrar uma universidade
do porte da USP, o que não tem sido possível apenas nas mãos do
Estado”, declarou o governador José Serra. “Nossa meta é estimular o
investimento na capacitação dos alunos e principalmente no
desenvolvimento de pesquisa, como já ocorre nas universidades
norte-americanas”.

O governador também informou que ainda não foram discutidos planos de
instituir cobrança de mensalidade aos alunos, mas que isso pode vir a
ser considerado pela administração da instituição. Alunos de baixa
renda ficariam livres da cobrança.

Após reunião, Suely Vilela não quis dar declarações ao G1 sobre
protestos de estudantes do movimento estudantil em frente ao Palácio
dos Bandeirantes. “É um absurdo, primeiro foram os decretos. Nós
sabíamos dos planos do governador tucano desde que assumiu o governo”,
disse estudante de história da USP, que não quis se identificar,
temendo retaliações da reitoria. No mesmo dia, na cidade
universitária, funcionários pararam como protesto ao encontro.

Uma nova reunião está agendada para o começo do mês que vem, informou
um dos assessores do governador.

Atualização (2/4): produzido por Flávio Serpa
<http://verbeat.org/blogs/eralivre/>, com algumas adaptações minhas.
Inicialmente foi divulgado no orkut
<http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=35362&tid=5319737022485600710>.
Veja também essa matéria relacionada
<http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL16239-5602,00-GOVERNADOR+AVALIA+PLANO+DE+PRIVATIZACAO+DA+USP.html>.

Os comentários que haviam feito no post:

gabriel escreveu:
mesmo sendo de abril, eu não duvidaria nem um pouco caso o Serra
tentase realmente privatizar a universidade. Vindo do partido que
acabou com a educação pública e afundou o país, espera-se qualquer
atitude.

gabriel fernandesgabriel – quarta, 01 abril 2009, 20:50 BRT

Felipe Pait escreveu:
Extra! Extra! Suely Vilela na lista tríplice para secretária-geral da Unesco!

Felipe PaitFelipe Pait – quarta, 01 abril 2009, 22:38 BRT

Antonio Candido escreveu:
Como assim planos de privatização? Já não privatizaram?

Antonio C. C. GuimarãesAntonio Candido – quinta, 02 abril 2009, 10:58 BRT

Paulo de Oliveira Eneas escreveu:
Sobre privatizacao: Ainda nao li a materia toda, mas conhecendo de
perto o dia a dia da universidade, nao tenho a menor duvida que o
setor de servicos pode e deve ser privatizado sim. Nunca vi mesmo em
outros setores publicos um grau de ineficiencia, lerdeza, desperdicio
e ma vontade e leniencia igual ao dos funcionarios da usp no geral.
Eles ainda gozam de estabilidade no emprego o que se torna um trunfo
na mao de sindicalistas que transformam setor de servicos da usp em
palco e trampolim para ambicoes politicas de partidecos de esquerda.
Vira e mexe tem as paralisacoes (nas quais ninguem corre risco de
perder emprego ou ter salarios descontados, como acontece na
iniciativa privada) que prejudicam o andamento da rotina na
universidade. A proposito, alguem ja viu um argumento racionalmente
convincente que mostre em que o trabalho academico se benecia com a
estabilidade no emprego dos que cuidam dos restaurantes, transporte,
servicos burocraticos, etc? A meu ver, nao so se beneficia em coisa
algma, como pelo contrario, no mais das vezes prejudica e atrapalha,
dado o poder que os funcionarios passam ter. …

Paulo de Oliveira EneasPaulo de Oliveira Eneas – quinta, 02 abril
2009, 11:57 BRT

Ricardo Henrique Gracini Guiraldelli escreveu:

Eu vim “seco” nesse post para fazer um comentário, mas o Paulo de
Oliveira Eneas adiantou muitos dos meus argumentos.

Com a privatização de setores hoje ineficientes na Universidade de São
Paulo (que são os “geradores de greves”), acredito que a qualidade
total da universidade aumentaria.

Quanto a mensalidade, eu acho muito justo! Se cada aluno pagasse
R$50,00/mês de mensalidade, a USP arrecadaria algo em torno de
R$3.750.000,00/mês! (Talvez até mais, porque acho que o número de
alunos que usei – 75.000 – não reflete a realidade.)

Mas esse tipo de atitude demora anos para se resolver, e essa conversa
não levará a nada no curto prazo.

Ricardo Henrique Gracini GuiraldelliRicardo Henrique Gracini
Guiraldelli – quinta, 02 abril 2009, 17:02 BRT

Nathalia Sautchuk Patricio escreveu:

Eu discordo que a privatização leve a uma maior eficiência. Já vi
muita empresa que faz as coisas na maior ineficiência tanto quanto o
setor público.

Como diz uma funcionária da Poli que eu conheço: “Existe funcionário
ineficiente e não funcionário público”. Esse comentário é devido a
generalização dessa idéia que o funcionalismo público é ineficiente.
Aliás, nem acho a USP tão ineficiente assim, há seus problemas, mas
comporando com muitos outros órgãos o serviço funciona bem melhor!!!

O grande problema para mim é a dificuldade e demora para se conseguir
demitir um funcionário que está fazendo merda. Para se demitir um
funcionário é necessária muita burocracia, o que praticamente
inviabiliza a demissão. Logo, fica-se a sensação de “impunidade”, que
se pode não fazer nada que não haverá problemas.

Eu acho que a USP como instituição pública deve ter e continuar a ter
funcionários públicos, mas deveria ser mudada essa burrocracia para se
demitir funcionários.

Quanto ao pagamento de mensalidade eu acho um absurdo. Se a USP for
paga o que a diferenciará da UNI X da vida que não ensinam nada?
Muitos professores bons saíriam da USP, pois só ficam na USP por
“ideologia” de um ensino público gratuito de qualidade. Sendo a USP
paga, eles vão sair para “ganhar mais” em alguma outra universidade
paga…

Nathalia Sautchuk PatricioNathalia Sautchuk Patricio – sexta, 03 abril
2009, 00:23 BRT

Andréa Haritçalde escreveu:

A questão sobre mensalidade é simples:

A USP precisa realmente arrecadar mais? Precisamos tapar o buraco da
má administração com o dinheiro de família de estudantes, tenham eles
condições ou não?

Mania de pensar em já ir cobrando por uma suposta justiça social sem
pensar se é realmente necessário este ato.

Andréa HaritçaldeAndréa Haritçalde – sábado, 04 abril 2009, 19:27 BRT

yuna escreveu:

Acredito que o problema maior é de gestão, da burocracia e da
impunidade. Muitos funcionários públicos se prejudicam trabalhando em
dobro pq outros não fazem nada, muitas vezes ganham salários bem
maiores e não tem a menor vergonha de ficar sentado sem fazer nada o
dia inteiro ou de ir embora mais cedo na cara dura.

Num artigo do Ladislau Dawbor sobre a crise econômica que estava lendo
outro dia, ele esplicava um pouco da importância do emprego público
para a sociedade e para a economia.

Não é de hoje que nossos gestores (reitora, governador etc) atacam por
frentes equivocadas, serviço privatizado pode sim ser muito pior do
que o serviço público pq depende e muito da fiscalização. E a condição
de trabalho dos funcionários, e o que representa isso para a sociedade
como um todo, e para essa economia de desenvolvimento (de quem???), da
desigualdade?

O problema é principalmente, essa é minha opinião irredutível, o
problema está na gestão, nas políticas públicas, no sistema de
governança.

E todo esse estardalhaço é para despistar…

Yuna Ribeiroyuna – quinta, 09 abril 2009, 13:01 BRT

diasmarcelo83@yahoo.com.br escreveu:

Educação privada é a solução ???

Bom 75% da educação superior no Brasil é privada, e ai cade a
eficiencia ? Por que esses faladores de gravata não vão estudar lá e
param de encher o saco?

O problema da USP é da burocracia para demitir funcionario? Fala
serio, a estabilidade é uma medida politica, na ditadura foi mostrado
a que serve demitir funcionarios (e professores), alias hoje mesmo na
USP os funcionarios que a Reitoria tenta demitir são os que lutam por
uma educação pública, gratuita, de qualidade e para todos! E não os
vagabundos (que alias em sua maioria são justamente os funcionarios
com cargo de confiança), o problema da USP não são os funcionarios, o
problema da USP é a Burocracia que a gere, a Reitoria e grande parte
dos diretores de unidades, esses sim deviam ser demitidos.

Quanto a mensalidade nem se fala, alguns dizem que a USP precisa
almentar a verba, mas ninguem diz que o Brasil gasta rios de dinheiro
pagando divida a banqueiros vagabundos, que mantem (com nosso
dinheiro) tropas no Haiti que só servem para massacrar a população e
estuprar as mulheres, que o governo já destinou bilhões e bilhões
(mais de 300 Bilhões se não estou enganado) para salvar os
capitalistas, e somos nós quem deve pagar por educação ???

Privatização é uma merd…, na verdade os cortes de gastos são sempre
as custas dos funcionarios e professores que passam a receber menos, e
a chamada “agilidade” só funciona assim “se me dá lucro está otimo, se
não me dá lucro mando a merda” e o tão falado conhecimento academico
que se exploda!!! E se alguem acha que estou mentindo é só olhar as
estatisticas, as universidades estaduais paulistas produzem quase 70%
de toda a pesquisa do Brasil, oras então que ninguem venha com esse
papo furado de que privatização ajuda o conhecimento academico a se
desenvolver, vão estudar que vcs ganham mais!!!

default user icondiasmarcelo83@yahoo.com.br – segunda, 13 abril 2009, 03:36 BRT

gabriel escreveu:

“Bom 75% da educação superior no Brasil é privada, e ai cade a
eficiencia ? Por que esses faladores de gravata não vão estudar lá e
param de encher o saco? ”

perfeito. concordo com todas as palavras do diasmarcelo

já foi provado que é mito a ideia de que o Estado brasileiro esteja “inchado”.

Ver: http://blogdofavre.ig.com.br/2009/04/estudo-de-ipea-mostra-que-incha

Pior ainda é o preconceito criminoso que as pessoas nutrem em relação
aos funcionários públicos (triste do país que despreza sua máquina
estatal…). Aliás, é impressionte a quantidade de estrume que existe
na cabeça de alguns estudantes da usp que defendem a privatização.

gabriel fernandesgabriel – segunda, 13 abril 2009, 16:50 BRT


7 Comentários on “Governador avalia planos de privatização da USP em reunião com reitora”

  1. […] Abaixo a censura, abaixo Suely Villela. Toda história do meu afastamento do projeto Stoa, assim como a exclusão de minha conta do Stoa e todos meus textos, começou com a publicação no Stoa de uma brincadeira no contexto de primeiro de abril, que vocês podem checar aqui, Governador avalia planos de privatização da USP em reunião com reitora. […]

  2. […] leave a comment » Toda história do meu – Tom falando – afastamento do projeto Stoa, assim como a exclusão de minha conta do Stoa e todos meus textos, começou com a publicação no Stoa de uma brincadeira no contexto de primeiro de abril, que vocês podem checar aqui, Governador avalia planos de privatização da USP em reunião com reitora. […]

  3. […] No dia 1º de abril o estudante divulgou texto no Stoa, forjando uma falsa notícia jornalística que anunciava: Governador avalia planos de privatização da USP em reunião com reitora. […]

  4. Zé Colmeia disse:

    Qual a semelhança entre a Reitora e o ministro do STF Gilmar Mendes?

  5. Roberto disse:

    Amigo, funcionário público tem que ter estabilidade sim. Por ser orgão público, sempre está sujeito a decisões políticas, perseguições, etc. Estabilidade é a única garantia de emprego nesse caso. Por favor, não compare um orgão público com restaurante ou boteco! Serviço público não é serviço privado, nem aqui, nem na Suécia. Além do mais, temos que tomar cuidado com essas fundações, etc. Estão parecendo máquinas de lavar dinheiro!

  6. Blog do Lucho disse:

    Meu voto no dia 31….

    Sucateamento (e ameaça de privatização) da USP/UNICAMP/UNESP….


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