USP criar portal para discutir problemas da universidade

Reinventando a roda

Em mais uma de suas iniciativas, a USP sai na frente. Diversos professores do Núcleo de Políticas Públicas da USP criaram um site onde professores serão convidados a fazer análises fundamentadas e serão aceitas contribuições espontâneas de membros da comunidade (será que incluem ex-alunos?). Veja aqui a carta enviada pelos professores explicando melhor o site, Um espaço para o debate sobre a USP, onde destaco (grifos meus):

[…]

As estruturas tradicionais de organização e gestão das universidades mostraram-se inadequadas para operar com eficiência neste novo cenário mundial e para oferecer o suporte necessário à atuação de docentes e pesquisadores. Reformas estão em curso em quase todos os países. Em comparação, nós, na USP, parecemos navegar à deriva, presos a soluções e organizações que estão se tornando rapidamente obsoletas e sem lideranças que nos permitam definir um projeto compatível com a magnitude de nosso potencial social e intelectual.

A última greve que ocorreu na USP parece que fez aflorar a insatisfação com os rumos que a universidade vem seguindo, a qual se extravasou em cartas, entrevistas, protestos e manifestos divulgados pelos jornais.

A presença freqüente de professores e alunos na imprensa tem um papel importante na vida universitária mas, ao mesmo tempo, indica um problema que não podemos mais a ignorar: o fato de que a comunidade acadêmica não encontra, dentro da USP um canal de expressão de suas críticas e de suas insatisfações. Para se fazer ouvir dentro da universidade é preciso falar de fora dela. Isto revela a falência do sistema de representação que regula a participação da comunidade acadêmica na gestão da universidade, o qual não consegue captar, traduzir, expressar e colocar em debate as posições e os anseios da comunidade universitária. Isto se reflete nos órgãos de gestão, os quais se mostram incapazes de reconhecer a gravidade da crise, de diagnosticar os problemas que precisam ser enfrentados e de definir os rumos que a universidade deve tomar. As autoridades universitárias  com poucas exceções, tem se eximido de sua responsabilidade e dos seus mais importantes compromissos institucionais, como a renovação dos programas de ensino, as iniciativas para ampliar o escopo, os objetivos e o financiamento da pesquisa, e  a interação e interlocução com a sociedade, cujos grandes dilemas nem sempre encontram a necessária repercussão nas atividades de investigação e de extensão d universidade.

[…]

Curiosamente isso me lembrou uma apresentação sobre redes sociais, num workshop organizado ano passado pela reitoria para discutir o futuro da USP. Preciso comentar? :-D

Agora me bateu uma forte dúvida: quem decidirá quais textos deverão ser publicados ou não?

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Como cadastrar-se no e-Democracia do governo

Hoje foi o lançamento do da rede social do governo e-Democracia <www.edemocracia.camara.gov.br>.  Acabo de tentar o cadastro. Você coloca seu nome completo, email, senha, login e página pessoal.

Será enviada uma mensagem no seu email para confirmar seu cadastro, feito através de um link. Nota, o email é enviado a partir do email felipeggubert(arroba)gmail.com (bem profisional, não?).

Ao clicar no link:

Recebemos a seguinte mensagem de erro:

Not Found

The requested URL was not found on this server.

AOLserver/4.5.0 on http://pitiguari

Para conseguir efetuar o cadastro, é preciso alterar o URL acima extraindo o publico/ dele, ficando algo como:

Pronto! Você receberá um email (em inglês e com URL no assunto) confirmando sua participação no site:

Assunto: Your http://www.edemocracia.camara.gov.br membership has been approved

Your http://www.edemocracia.camara.gov.br membership has been approved. Please return to http://www.edemocracia.camara.gov.br to log into http://www.edemocracia.camara.gov.br.

Vou agora fuçar a maravilha que deve estar me esperando!


Aos professores: como vocês divulgam seus trabalhos para atrair alunos de iniciação científica e de pós-graduação? Que tal um blog?

(Publicado originalmente dia 5 de dezembro de 2007 em http://stoa.usp.br/tom/weblog/11420.html)

Caros professores,

certamente muitos de vocês devem concordar que um bom projeto de iniciação científica (IC) com um aluno interessado e esforçado pode ser algo bastante proveitoso, principalmente para o aluno, como também para o professor e seu grupo de pesquisa. Recentemente, pensando comigo como foi que descobri minha ex-orientadora, depois que fiquei sabendo o que é iniciação científica, percebi que foi uma mera sorte (pelo fato de eu saber sobre o pior nível de dedicação aos seus orientados e, até mesmo, competência de alguns pesquisadores do instituto). Aliás, fui informado o que era iniciação científica, no ano que entrei no IFUSP, 1999, apenas no final desse mesmo ano, Outubro, num evento promovido pela comissão de graduação do instituto. Nos anos que se seguiram, sempre houve certo esforço por parte dos estudantes, na semana re recepção aos calouros, para divulgar sobre o que é iniciação científica e como começar uma. Fico muito feliz em saber que conversas minhas com alguns recém ingressantes na universidade acabaram fazendo iniciação científica e, muitas vezes, vieram contar para mim e até pedir algum conselho ou contar o que estavam fazendo.

O evento organizado pela comissão de graduação era um conjunto de palestras dos professores do instituto, que abordavam as várias linhas de pesquisa do instituto. No lado de fora do auditório onde as palestras foram apresentadas, o Abraão, haviam cartazes preparados pelos estudantes de IC. Fiquei bastante interessado por partículas elementares (algum dia conto mais sobre esse ponto) e fui falar com alguns estudantes veteranos quem eles me indicavam. Foi puro boca-a-boca. Eu nem cogitaria pesquisar o currículo do professor, nem mesmo saber um pouco dos outros orientados o que eles achavam. Um deles, com quem falei, ex-aluno de IC da professora que mencionaram o nome, me disse que era muito puxado fazer com ela, o que, de certa forma, me motivou.

Acabaram mencionando a professora Renata Funchal, então pesquisadora do Departamento de Física Nuclear, com quem fui, junto com um amigo, o Felipe, conversar, para saber o que precisávamos para fazer uma IC com ela. Marcamos uma reunião depois de uma semana, com a seguinte questão para responder e pensar no meio tempo: “Por que você decidiu fazer física?”

Pulando a parte da resposta minha (também crio um post, algum dia), na reunião a professora indicou 2 livros para nós lermos “A primer on particle physics: from alpha to zeta”, do Okun, e “Cosmic Onion”, do Frank Close. Ela enfatisou a importância de sabermos ler em inglês, pois essa é a língua usada pela comunidade científica. Penei no meu primeiro verão para tentar entender o livrinho do Okun. Não por causa da física, pois essa eu só viria a entender alguns anos mais tarde, depois de estudar quântica e relatividade, mas por causa do inglês, que não era lá grande coisa (na realidade, pouco sabia de minha capacidade para ler em inglês, após a aquisição de certo vocabulário através desse livrinho).

Descobri, assim, que eu podia ler livros em inglês. Fiquei bastante empolgado, pois, perambulando pela fantástica biblioteca do IFUSP, o leque de possibilidades ampliou muitíssimo, a partir de então.

Acho que tive uma boa orientação de IC e certo estou que descobri a professora em questão por acaso. Na época, não estava tão habituado com o uso dos mecanismos de busca na Internet (aprendi a ler email aos 18 anos – que diferença da nova geração!). Foi muito no boca-a-boca, mesmo.

Agora, suponham que um aluno precisa pesquisar diversos assuntos e o que cada pesquisador faz. Até mesmo (por que não?) interagir com o pesquisasdor. Como vocês divulgam seus trabalhos para atrair esse aluno? Como divulgam o seu dia-a-dia dentro da universidade? Um blog, muito mais prático e dinânimo, não é algo mais atrativo do que uma mera página estática e um currículo Lattes? Claro, também mais trabalhoso.

Você pode estar se perguntado: “Eu tenho minha página, por que faria um blog?” Num blog existe um recurso muito importante: a possibilidade das pessoas que lêem seus textos colocarem comentários, interagirem com você. Todos aqui que fazem pesquisa certamente sabem da importância de ter certo retorno por parte de terceiros sobre o que estamos fazendo. Além de ser um bom método para nos auto-avaliarmos (quem aqui garante que o que estou escrevendo está sendo bem compreendido?), pode ser também ferramenta poderosíssima para ampliarmos nosso conhecimento através de dicas e sugestões de alguém que já estudou sobre o assunto.

Num blog também existe a possibilidade de se incluir vídeos, imagens e sons de modo bastante prático! Você pode pegar a câmera do seu celular, gravar alguma mensagem e por na Internet. O mesmo pode ser feito com arquivos de aúdio e imagens.

Durante minha iniciação, fiz uma página simples de Internet, divulgando meus relatórios para as agências de fomento que pagavam minha bolsa, os pôsteres dos simpósios que participei, assim como os seminários que eu apresentei durante os cursos que fiz durante minha graduação e pós. Deixava alguns arquivos disponíveis para download (no servidor do departamento de física matemática do IFUSP, eu tinha 100 Mb para colocar tudo), o que pode facilmente ser feito aqui no Stoa. Não é preciso ser nenhum hacker para divulgar seu trabalho. E melhor ainda, está tudo centralizado! Quem sabe, no futuro, poderemos até integrar o sistema Stoa da Universidade de São Paulo com outros centros educaionais. Não seria fantástico?! Várias redes sociais com tantas pessoas com coisas importantíssimas e interessantíssimas para falar interagindo entre si e gerando conteúdo?

O blog também pode ser usado pelos seus próprios estudantes. Pode-se criar um blog comunitário onde mais de uma pessoa escreva sobre um determinado assunto, e. g., um grupo de pesquisa divulgando seu trabalho. Poderia ter algo melhor do que divulgar o que fazemos porque gostamos? :-)

Há também um fato que considero ser importantíssimo: a USP é financiada por dinheiro público. O blog não pode ser um bom meio de divulgar para quem está fora dos muros da universidade o que ocorre no dia-a-dia dela? Não pode motivar algum estudante do ensino básico quando ler algum texto de caráter de divulgação, quando bem escrito? Quantos estudantes não vão nos fóruns das comunidades da rede social que mais se popularizou entre os jovens brasileiros, o Orkut, para perguntar um pouco como é a vida pós-colégio? Usando o Orkut desde 2004, posso garantir que são muitos, mas muitos mesmo jovens que estão sedentos por saber, por aprender, por estudar. As possibilidades são infinitas e pouco custa, na minha opinião, dedicar certo tempo de nossa semana, para ajudar a orientar essas pessoas. Vejam um post explicando sucintamente a importância do material ser público (texto apagado do Stoa, em breve será publicado num outro lugar): Sobre a importância do conteúdo público / Alguém já viu conteúdo de qualidade no orkut?

Repito. Apenas uma lista de artigos publicados não é suficiente, na minha opinião. Quantos não existem com uma lista enorme de artigos, mas, quando vamos ver de perto, não passam de maquininhas de produzir artigos? Sei que não é todo profissional que tem facilidade de se comunicar de maneira didática, como vi em muitos professores em minha graduação. Acredito que esse espaço aqui pode ser um bom termômetro para quem se propõe a divulgar suas idéias. ;-)

“Everything is vague to a degree you do not realize till you have tried to make it precise.”

Bertrand Russell

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(Atualizado às 22h36 no dia )


Ato público contra o AI5 Digital: Divulgue!

Ato Público contra o AI-5 digital


Transmissão ao vivo pela TV Web do site da Assembléia, clique aqui.

Iniciativa: Deputados Estaduais Simão Pedro – PT
Rui Falcão – PT,  Adriano Diogo – PT, Raul Marcelo – PSOL, Carlos Gianazi – PSOL, Jonas Donizetti – PDT;
Deputados Federais  Paulo Teixeira – PT
Luiza Erundina – PSB, Manoela D’Avila – PCdoB, Ivan Valente – PSOL

Convocatoria: Intervozes – Instituto Paulo Freire –  Rede Livre de Compartilhamento da Cultura Digital, GPOPAI – USP – Epidemia – Coletivo Ciberativismo – Coletivo Digital – Teatro Mágico – Laboratório Brasileiro de Cultura Digital – Attac-Br – 4 Linux – Oboré – CADESC – Francisco Whitaker, Comissão Brasileira de Justiça e Paz, da CNBB – Grupo TORTURA NUNCA MAIS – APN -Agentes de Pastoral Negros do Brasil-SP – Centro Cultural Afro-brasileiro Francisco Solano Trindade – Ação Educativa – A Comunidade para o Desenvolvimento Humano – Partido Pirata.

Apoio: Liderança do PT

Gabinete: Assembléia Legislativa de São Paulo
Av. Pedro Álvares Cabral, 201, Sala 1020 – Ibirapuera – São Paulo
Cep: 04097-900 Tel: (11) 3886-6642/6658
Escritório político: Rua São João, 126, São Paulo – SP
comunicasimaopedro@uol.com.brwww.simaopedro.com.br

Repassando o email do professor Pablo Ortellado (USP), que recebi através de uma lista de emails do GPOPAI.

Veja o texto elaborado por voluntários da WikiBrasil, um possível capítulo da Wikimedia sendo criado no Brasil: Lei sobre crimes eletrônicos. Você pode também discutir o assunto na lista de emails da WikiBrasil.


Sony Reader PRS 505: um bom aparelho para ler ebooks

(Criado originalmente dia 2 de setembro de 2008 em http://stoa.usp.br/tom/weblog/31256.html)

Em meados de 2002/2003, vendo a crescente quantidades de ebooks, ou livros eletrônicos, na Internet, como os do projeto Gutenberg, pesquisei sobre a existência de algum aparelhinho legal para lê-los, mas não encontrei nada satisfatório. Os formatos suportados eram muito ruins, o espaço em disco era muito pequeno, o preço muito elevado, poucas relatos positivos dos usuários etc.. Ficava me perguntando como é que ninguém fazia um aparelhinho desses. Não dar certo em países como o Brasil, onde ninguém lê, tudo bem, mas em países com um número razoável de leitores, não tinha como falhar.

Desisti de minha busca, um pouco frustrado com a quantidade enorme de livros em formato eletrônico legais para ler, mas que só poderia fazer no monitor, o que é horrível para mim, pois cansa muito meus olhos, ou se imprimisse, também inviável, pois sairia muito caro. Deixei um pouco de lado minhas espectativas de encontrar um aparelho para ler ebooks.

Felizmente, desde o começo de 2007,  passei a ouvir mais e mais sobre o surgimento de aparelhos que usam do e-paper, ou papel eletrônico (que já tinha ouvido falar faz tempo), feitos especialmente para ler ebooks! Desde então, passei a me informar sobre os aparelhos no mercado e que seriam lançados. Essa discussão no Slashdot e essa página comparando alguns aparelhos (esse site é muito interessante se você for comprar um), além de comentários dispersos na Internet, foram bem úteis na minha escolha. Aproveitando que minha namorada iria para os EUA no começo do ano, pedi que ela comprasse o Sony Reader PRS 505 ou o Cybook Gen3. O último estava esgotado, acabei comprando o da Sony. Custou U$ 330 (300 + 30 de imposto), aproximadamente R$ 575. Em algumas páginas na Internet brasileiras cheguei a encontrar o aparelho entre R$ 1200 e R$ 1400 (Por que será que importação é tão cara por aqui? Se não temos competência para construir, vamos deixar a população sem produtos que melhorarão a vida delas?). Ouvi muitos comentários negativos sobre o bastante divulgado Kindle, da Amazon, principalmente sobre o formato do aparelho e limitação dos formatos de ebook aceitos, então ficou fora da minha lista.

A escolha foi ótima. Vou explicar um pouquinho em palavras sobre o PRS 505, mas se preferir, veja o vídeo que fiz logo acima (download MP4 – 25 Mb). O aparelho vem com 256 Mb de memória e suporta cartões de memória Stick Duo de até 8 Gb ou SD de até 2 Gb. A bateria dura bastante. Diz na página da Sony que dá para virar 7500 página com ela cheia. Nunca testei, mas dura no mínimo 1 semana com 1 hora de leitura diária. Para carregar a bateria vazia via USB, demora em torno de 4 horas. Há uma fonte para recarregar na tomada (na metade do tempo do USB, segundo site da Sony), que possibilita a leitura enquanto recarrega, diferente do USB.

Os formatos para ebooks aceitos pelo aparelho são LRF (formato proprietário da Sony), PDF, RTF, DOC (é convertido em RTF), TXT e, recentemente com o upgrade do firmware do aparelho, também ePub(!), um formato totalmente aberto. Também é possível visualizar imagens (em preto e branco) JPEG, GIF, PNG e BMP e ouvir sons nos formatos MP3 e AC3, mas praticamente não uso o aparelho para isso, exceto nos casos em que os próprios livros possuem imagens.

Com relação aos formatos de ebooks, até o upgrade que possibilitou o uso do ePub, o melhor era o LRF. Com o LRF temos 3 tamanhos das fontes. Para mim, a fonte pequena já é agradável para leitura. A visualização de PDF também está melhor. Agora aceita os 3 tamanhos de fonte, sendo a média a mais agradável. Antes as letras eram muito pequena, então eu tinha que girar a tela para landscape, visualizando apenas metade da página. Ainda tem o inconveniente que, dependendo do PDF, as linhas ficam quebradas, mas isso em geral ocorre com artigos com duas colunas e um resumo logo no topo, comum em artigos científicos. O TXT também enfrenta esse problema da quebra de linha, então é preciso ter um TXT com o número de caracteres por linha adequado para o tamanho da fonte que você prefere ler. Para fonte pequena, são 65 caracteres por linha.

Infezlimente, o software da Sony para manipular seus ebooks só funciona no windows. Felizmente, indiano Kovid Goyal, físico do Caltech, escreveu o programa Calibre, que também funciona em Gnu/Linux! Além de ser muito prático na manipulação dos metadados (nome do autor, título, capa do livro etc.) e para transferir ebooks do PC para o PRS 505 e vice-versa, ele também serve como um conversor de feed RSS em ebooks, o que pode servir para eu pegar as notícias dos jornais (já atualizados ao novo século) com bastante facilidade.

Caracteres com acentos da língua portuguesa funcionam normalmente no aparelho, em todos formatos que testei até o momento (TXT, PDF e LRF).

Esse é um dos primeiros aparelhos forte no mercado. Certamente em breve estará ultrapassado com hardwares mais modernos, mas por enquanto, é uma boa escolha. Se você quiser ler confortavelmente seus ebooks, recomendo.