Juno: sugestão para quem enfrenta o problema da gravidez durante a adolêscencia

Juno_an_Paulie

Se você é uma jovem adolescente que acaba de se deparar com o problema da gravidez precoce e chegou até aqui, deixo logo minha sugestão, caso não leia até o final do texto: assista ao filme Juno (crítica em português). Certamente muitas de vocês já devem ter ouvido as mais absurdas opiniões, como “Engravidou, agora você é responsável pelos seus atos.” Quero deixar claro que, apesar de considerar um erro um jovem casal gerar uma criança, não acho que eles devam, como uma punição moral, se sentirem culpados pelo descuido e, num país como o nosso, muito provavelmente ignorância ou falta de perspectiva a longo prazo. Me refiro a ignorância não apenas sobre métodos contraceptivos, como também, principalmente, sobre a responsabilidade de criar uma criança. Como pode alguém achar que um adolescente é capaz de dar os cuidados necessários que toda criança merece? Acredito que quem pensa que sim não pode estar usando a razão e quer, devido ao seu senso de justiça moral, impor a punição nos adolescentes, quando, na verdade, o principal prejudicado é o novo ser que está por vir a nascer.

Em relação ao filme, logo no começo, quando a adolescente de 16 anos, Juno, representada por Ellen Page (que atuação simpática!), uma das primeiras coisas que ela pensa em fazer é abortar. Chega a ir numa clínica de aborto, mas desiste (apesar de eu ser a favor da possibilidade de escolha de aborto pela mãe, não vou entrar no mérito da questão aqui, ainda mais por viver numa sociedade como a nossa, onde crenças dogmáticas preponderam). Percebe-se que Juno, ao querer contar para os pais que está grávida, demonstra um enorme sentimento de culpa. A reação dos pais, após descobrirem o que ocorrera, é um tanto amigável. Outra atitude que acho importante para os pais numa situação como essa: apoiar seus filhos e não crucificá-los cruelmente, os ajudando a tomar a melhor decisão diante do já ocorrido.

Abandonada a idéia do aborto, Juno decide doar sua criança. Como num passe de mágica (comum a um filme), logo encontra um casal e vai, mais tarde, conhecê-los para certificar que são as pessoas adequadas para cuidarem da criança. Atitude louvável, na minha opinião, para quem é contra o aborto. Se temos na sociedade pessoas com condições financeiras, psicológicas e que possam dar amor para uma criança, porém enfrentam dificuldades para gerar um bebê, por que não dar essa oportunidade a eles? Não vejo o ato da doação no presente contexto apenas como uma fuga do problema (cuidar de uma criança ainda imaturos), mas como a melhor solução para o problema.

O desenrolar do filme é muito bom. A graciosa atuação de Ellen Page é muito divertida. Escolheram uma ótima atriz para o papel da adolescente que enfrenta o problema junto com o seu amigo Paulie, o pai da criança. Alguns obstáculos enfrentados pelo casal que vai receber a criança, como a incerteza de que Juno vai realmente doar a criança, também são interessantes. Para um casal que se gosta e quer ter filhos, como deve ser chata a situação de criarem uma expectativa de adotar alguma criança, mas acabarem recebendo um não. Apesar de que, na minha opinião, para se adotar não é necessário que a criança seja apenas recém nascida.

Escrevi um dia desses que, atualmente, não cogito, de forma alguma, ter um filho meu. Como tentei argumentar sobre meu ponto de vista, para que ter filhos? Por que não adotar?

Fica aqui minha sugestão dessa divertida comédia-dramática, com uma trilha sonora bem bacana e, principalmente, sobre um tema tão importante abordado de forma inteligente. Importante pois, afinal, termos tantas crianças com cuidados aquém do que merecem é o começo do mundo tão cruel em que vivemos.

(Publicado originalmente 25 de março de 2008 em http://stoa.usp.br/tom/weblog/19102.html)



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