Bad service at Decathlon in Berlin

Having moved to Berlin last summer, I’ve decided to buy a simple city bike at Decathlon. After reading several positive reviews, Btwin Elops 100 was my choice – it’s cost € 169 at Decathlon.

After using the bike for short rides in the city for about 6 months (~4 months I was traveling), the back wheel axle has broken last April. Since I was told I had one year warranty, I brought the bike on the 17th to fix it and I was quite happy it promised I could take it back on the 20th.

Unfortunately, that was not the case. When I went to get my bike this day, nothing was done and it was told me the service center should be consulted. After that, I was informed the wheel size was between 26” and 28”, not sold by Decathlon, thus it should be sent to the service center, but to fix the bike wouldn’t take more than 1 week

On the 25th of April (my birthday, what a good gift!), I’ve called Decathlon to check how was it going and if there was any day when I could get my bike. The bike still wasn’t sent to the service center – without further explanation, only that the same explanation that the wheel size was not produced by Decathlon and they could not fix the bike themselves, so the bike should be sent to another city. They also told me I would be informed by e-mail every single step of their service so that I could know when I’d have my bike back, what didn’t happen.

Again, I was promised my bike wouldn’t take more than one week. I called back on the 2nd May and, for my big surprise, the bike wasn’t sent to the service center! For this, I had to write a negative review at Decathlon page for this particular product, which I actually liked, although the problem with my wheel, which I think was just an accident.

The answer to my review was that it could take 2 to 3 days, but only May 8 I got an e-mail saying the bike was still in the service center. On May 9, after replying to this email on the previous day asking some concrete feedback on what was happening to my back and when I could get it back, I decided to call again on the late afternoon. The staff who picked up the phone was the same person who sent me the email on the 8th. He seemed embarrassed with the situation and would call me back yesterday, what didn’t happen, and believed the bike would be ready on Friday or Saturday.

I don’t know what to do and unfortunately, I even don’t know well my rights in Germany, but I definitely would never expect that mainly when I’m used to some really bad services in Brazil and I was always told the opposite about German companies – my first concrete experience is quite the opposite!


Descobrindo Neruda

2015-09-11 13.29.00Por acaso descobri Pablo Neruda. Na última semana visitei Santiago a trabalho (Abrelatam e Condatos) e, no último dia da semana, quando não havia mais encontros e reuniões de trabalho, tive a sorte de poder visitar com uma amiga uma das casas do poeta chileno, La Chascona (fotos).

Estava em busca de algum escritor chileno, mas para todos que perguntei, não consegui recomendações. Para minha sorte, após essa visita e algumas buscas após voltar de viagem, acho que descobri o que vou ler da literatura chilena. Visitando a casa, achei engraçada a constante referência ao mar – parece que temos uma paixão em comum. Na sala principal da casa, também havia um quadro com uma onça-pintada, animal que admiro. Vamos ver o que mais temos em comum.

Confesso que além de conhecer Neruda, a visita a sua casa suscitou mais um desejo, ainda incipiente. Construir uma casa tão bonita quanto a dele. Um de meus sonhos é construir um instituto de pesquisa interdisciplinar e de ensino na beira do mar, algo que sempre brinco planejar lá para meus 50 anos de idade, quando já terei mais experiências e executado projetos menores. A minha sala, com uma rede e uma poltrona, claro, terá sua janela, de preferência toda de vidro, com vista para o mar. A casa de Neruda me inspirou nesse sonho, que se não alcançar algo tão grande quanto um instituto, poderá ser uma casa para receber os amigos e promover encontros para discutir arte, política e ciência.

Em tempo, se der tempo, talvez podíamos fazer um pequeno mutirão no próximo dia 23 para melhorar o verbete sobre o poeta na Wikipédia em português, muito aquém das versões espanhola e inglês, e criar o verbe sobre La Chascona, que só tem em espanhol e inglês. Vou ver se consigo organizar.

Espero estar só começando a conhecer Neruda, assim como quando conheci Borges, que adoro, ao ler O Quark e o Jaguar do Gell-Mann no meu primeiro ano de faculdade, e em breve pretendo conhecer Cortázar, que sempre fui recomendado, mas só agora tive uma recomendação especial, além de ganhar um livro com contos dele durante essa visita.

Quantas boas surpresas!

¿Quién Muere?

Muere lentamente quien no viaja,
quien no lee,
quien no oye música,
quien no encuentra gracia en sí mismo.
Muere lentamente
quien destruye su amor propio,
quien no se deja ayudar.
Muere lentamente quien se transforma en esclavo del hábito
repitiendo todos los días los mismos trayectos,
quien no cambia de marca,
no se atreve a cambiar el color de su vestimenta
o bien no conversa con quien no conoce.
Muere lentamente quien evita una pasión y su remolino de emociones,
justamente estas que regresan el brillo
a los ojos y restauran los corazones destrozados.
Muere lentamente quien no gira el volante cuando esta infeliz
con su trabajo, o su amor,
quien no arriesga lo cierto ni lo incierto para ir detrás de un sueño
quien no se permite, ni siquiera una vez en su vida,
huir de los consejos sensatos…

¡Vive hoy!
¡Arriesga hoy!
¡Hazlo hoy!
¡No te dejes morir lentamente!
¡No te impidas ser feliz


Manifesto da Guerilha pelo Acesso Aberto

Aaron Swartz

Aaron Swartz

Informação é poder. Mas, como todo o poder, há aqueles que querem mantê-lo para si mesmos. O patrimônio científico e cultural do mundo, publicado ao longo dos séculos em livros e revistas, é cada vez mais digitalizado e trancado por um punhado de corporações privadas. Quer ler as revistas científicas apresentando os resultados mais famosos das ciências? Você vai precisar enviar enormes quantias para editoras como a Reed Elsevier.

Há aqueles que lutam para mudar esta situação. O Movimento pelo Acesso Aberto tem lutado bravamente para garantir que os cientistas não assinem seus direitos autorais por aí, mas, em vez disso, assegura que o seu trabalho seja publicado na Internet, sob termos que permitem o acesso a qualquer um. Mas mesmo nos melhores cenários, o trabalho deles só será aplicado a coisas publicadas no futuro. Tudo até agora terá sido perdido.

Esse é um preço muito alto a pagar. Obrigar pesquisadores a pagar para ler o trabalho dos seus colegas? Digitalizar bibliotecas inteiras mas apenas permitindo que o pessoal da Google possa lê-las? Fornecer artigos científicos para aqueles em universidades de elite do primeiro mundo, mas não para as crianças no sul global? Isso é escandaloso e inaceitável.

“Eu concordo”, muitos dizem, “mas o que podemos fazer? As empresas que detêm os direitos autorais fazem uma enorme quantidade de dinheiro com a cobrança pelo acesso, e é perfeitamente legal – não há nada que possamos fazer para detê-los.” Mas há algo que podemos, algo que já está sendo feito: podemos contra-atacar.

Aqueles com acesso a esses recursos – estudantes, bibliotecários, cientistas – a vocês foi dado um privilégio. Vocês começam a se alimentar nesse banquete de conhecimento, enquanto o resto do mundo está bloqueado. Mas vocês não precisam – na verdade, moralmente, não podem – manter este privilégio para vocês mesmos. Vocês têm um dever de compartilhar isso com o mundo.  E vocês têm que negociar senhas com colegas, preencher pedidos de download para amigos.

Enquanto isso, aqueles que foram bloqueados não estão em pé de braços cruzados. Vocês vêm se esgueirando através de buracos e pulando cercas, libertando as informações trancadas pelos editores e as compartilhando com seus amigos.

Mas toda essa ação se passa no escuro, num escondido subsolo. É chamada de roubo ou pirataria, como se compartilhar uma riqueza de conhecimentos fosse o equivalente moral a saquear um navio e assassinar sua tripulação. Mas compartilhar não é imoral – é um imperativo moral. Apenas aqueles cegos pela ganância iriam negar a deixar um amigo fazer uma cópia.

Grandes corporações, é claro, estão cegas pela ganância. As leis sob as quais elas operam exigem isso – seus acionistas iriam se revoltar por qualquer coisinha. E os políticos que eles têm comprado por trás aprovam leis dando-lhes o poder exclusivo de decidir quem pode fazer cópias.

Não há justiça em seguir leis injustas. É hora de vir para a luz e, na grande tradição da desobediência civil, declarar nossa oposição a este roubo privado da cultura pública.

Precisamos levar informação, onde quer que ela esteja armazenada, fazer nossas cópias e compartilhá-la com o mundo. Precisamos levar material que está protegido por direitos autorais e adicioná-lo ao arquivo. Precisamos comprar bancos de dados secretos e colocá-los na Web. Precisamos baixar revistas científicas e subí-las para redes de compartilhamento de arquivos. Precisamos lutar pela Guerilla pelo Acesso Aberto.

Se somarmos muitos de nós, não vamos apenas enviar uma forte mensagem de oposição à privatização do conhecimento – vamos transformar essa privatização em algo do passado. Você vai se juntar a nós?

Aaron Swartz
Julho de 2008, Eremo, Itália.

Créditos:


Um homem como um porco

Boussè, Burkina Faso, 2009. Foto de Marco Bellucci

O ônibus parou no ponto da Avenida Vital Brasil, quando olho pela janela, logo alí, ao meu lado e para todo mundo ver – mas parece que quase ninguém vê -, um senhor com aparência de morador de rua enfiava um copo descartável dentro de um saco preto de lixo, retirando para comer sua refeição, o copo cheio de macarrão misturado a outros dejetos. E ele não parou. Com sua barba mal feita, toda suja com o primeito copo com os restos do macarrão, ele enfia novamente a mão lá e volta a colocar o lixo na boca. O LIXO NA BOCA.

Dá vontade de chorar. Não posso fazer nada naquele momento, apenas ver aquele senhor abandonado, um ser humano que certamente tem uma história, que já teve pai e mãe, que tem anseios e medos como todo nós. Já teve um amor? Já foi amado? Já sentiu o carinho de outro ser humano? Quem não foi e quem não teve. Sonhos e esperança? Ele ri de algo? Talvez não mais.

Hoje está na rua como um porco. A diferença é sua consciência de não ser um porco.

A imagem não sairá da minha memória. A pior quase depois de um mês após voltar de três meses de viagem. É difícil, às vezes, não bater uma profunda tristeza e desejar nunca ter tido consciência desse mundo.


Aluno baleado na cabeça é morto na USP. Será que agora as otoridades farão algo?

Há algum tempo, no começo de 2009, quando participava do projeto Stoa (uma rede social da Universidade de São Paulo), cheguei a criar uma página para mapearmos o crime dentro da USP, mais precisamente a Cidade Universitária, local que frequentei durante muitos anos (graduação, pós e durante alguns projetos dentro dessa universidade). Minha maior preocupação, na época, surgiu após ler um relato chocante do estudante Sidney (Assaltos na USP (no Campus e no entono)), pertinho da portaria onde passei diversas vezes e por onde meu irmão passava para ir para sua casa.

Agora temos uma notícia que nessa quinta feira, 19 de maio, um estudante foi assassinado no estacionamento da FEA. Não é a primeira vez que ocorre um homicídio dentro da universidade. Lembro que em 2003, após grande movimentação que vi a partir de minha sala no departamento de física matemática do IFUSP (eu era estudante de mestrado na época), um segurança pediu para eu esperar antes de ir embora, pois havia um assalto armado nos arredores. Descobri ao longo da semana que um vigia do IFUSP havia sido morto a tiro.

E esse não é o único caso em que uma segurança mais eficiente faz-se necessário. Lembro de ter lido e ouvido relatos de diversos casos de estupro, com reações das mais absurdas da segurança, como pegar a garota estuprada para ir atrás do criminoso. Os furtos e roubos (pelo menos os divulgados) sempre foram muito altos. Um ponto era o do roubo dos carros, outro o de rádio e por aí vai.

Claro que apenas a polícia militar (PM) dentro do campus do Butantã não será suficiente para ajudar a resolver os problemas de segurança. Mas esse é um problema importante que deve ser discutido e medidas serem tomadas. Praticamente não vou mais na USP, portanto não ando muito informado se alguma discussão sobre o tema e, principalmente, ações sendo tomadas – espero que sim.

Aliás, aos que são contra PM dentro do campus, lembrem-se que eles já estão aí. Ou é uma alucinação minha a viatura que sempre fica rondando a praça dos bancos? ;) Se você for um dos que é contra a polícia pois quer continuar fumando um baseado, dia 21 é uma boa oportunidade de você se manifestar. E lembre-se, se você compra o baseado dos traficantes da favela aí ao lado, só está contribuindo para aumentar a probabilidade de um jovem achar mais fácil ganhar dinheiro vendendo drogas ilícitas no Brasil, ao invés de estudar. Sugiro importar ou plantar no quintal, nesse caso.

Infelizmente alguns outros posts meus no Stoa sobre o tema foram deletados, inclusive com críticas e registros do abuso de poder das otoridades, como uma viatura andar, em plena luz do dia, na Praça do Relógio ou na praça dos bancos, em horário de grande movimentação. Tomara que o o debate reacenda dessa vez e medidas efetivas sejam tomadas. E que essas medidas sejam tomadas não só porque, dessa vez, foi um aluno morto (ou, talvez, só porque é um aluno com algum vínculo mais próximo às otoridades da universidade).

Se voltarem a usar o mapa do crime na universidade, espero que seja não apenas para visualizar as estatísticas.

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Antigamente éramos mais humanos?

Lendo agora o texto da jornalista Cristina Castro, Não nos acostumemos mais!, e por causa de uma conversa ontem no encontro do Adote um Vereador, no Pátio do Colégio, acabei lembrando o relato de uma senhora num dia que estava indo para o aeroporto de Guarulhos, isso em 2009. Essa senhora, que já devia ter mais de 80, começou a conversar com o motorista sobre os moradores de rua, na medida em que passávamos no centro de São Paulo e víamos muitos deles dormindo na rua.

Puxando da memória o que ficou, disse ela: “Nossa, quando eu era mais jovem, se víssemos alguém morando na rua, a vizinhança, o pessoal do bairro, logo ia ver porque ele estava assim, o que havia ocorrido para estar lá, na rua e sozinho.” E o motorista, um pouco mais jovem, mostrava seu desconforto diante da situação. O número de moradores de rua hoje é tão grande hoje na cidade de São Paulo, em torno de 13 mil, que esse olhar humano diante de alguém vivendo nas ruas talvez praticamente não existe mais. Ou talvez simplesmente não sabemos o que fazer diante do quadro atual e ficamos quietos. Não podemos ficar quietos.

Durante minha graduação, entre 1999 e 2002, eu pouco vinha para o centro de São Paulo. Tanto que em alguns passeios com alguns amigos estrangeiros que fiz mais tarde, eles mais me guiavam com seus livrinhos do que o contrário. Mas tenho registrado na minha memória, durante a época da graduação, o dia em que vi, pela primeira vez, um ser humano, em plena luz do dia, agachar-se e começar a defecar, logo ali, para todos verem, sentirem o cheiro e, de certo, ignorarem. Foi algo impressionante para alguém pouco acostumado a vir para a região central de São Paulo, pois mais tarde vim a descobrir que isso não era tão incomum.

Há um ano e meio moro na região da Avenida Paulista e também venho frequentando mais a região central. É muito comum eu ter que desviar de alguém dormindo na rua quando ando por aqui ou ver um morador de rua falando sozinho, muitas vezes com cheiro de fezes e urina, algumas vezes andando à esmo nas calçadas de uma das avenidas mais ricas do pais, ali, abandonado, com todos nós não querendo passar perto por causa do cheiro e por causa do medo.

Como morador dessa região, mesmo que recente, minha impressão é que o número de moradores de rua tem aumentado, principalmente após o fechamento dos albergues da região central pelos nossos representantes. Posso falar apenas de impressão, pois nunca contei o número de mendigos, o que deve ser algumas dezenas agora, apenas na área que circulo.

Já transcrevi um trecho do livro O povo brasileiro, do Darcy Ribeiro, em que ele relata esse isolamento dos privilegiados diantes dos estratos mais pobres. O livro é de 1995, já tem mais de 15 anos e o relato é de um quadro que deve ter no mínimo duas décadas. Diante dessa situação de desumanização, que ocorre em outros momentos do nosso dia-a-dia, me pergunto muitas vezes, principalmente quando passo ao lado de um morador, ou quando vejo alguém dormindo dentro de uma caixa de papel, o que precisamos para ter um olhar mais humano para essas pessoas.

Às vezes penso se pegar minha simples câmera e começar a tirar fotos e fazer vídeos dos moradores de rua seria certo. As fotos, certamente, não seriam para fins comerciais, mas para fins de relatar essa omissão diante dos nossos olhos. É uma das idéias. Me parece claro que órgãos públicos também devem fazer alguma coisa, mas uma pressão da sociedade é necessária para que nossos representantes façam algo. Mas diante da passividade do povo brasileiros em questões que até mesmo lhe dizem respeito diretamente, ficou um tanto desanimado e pessimista.

E você, tem alguma idéia do que poderia ser feito?