Chinês, grego, persa ou alguma outra língua?
14 14UTC Outubro 14UTC 2009
(Publicado originalmente 19 de março de 2008 em http://stoa.usp.br/tom/weblog/18708.html Nota: Há poucos meses optei por aprender árabe, mas isso merece um post explicativo, que farei em breve)
Estou cogitando aprender alguma língua por diversão e, sem pesquisar muito, essas línguas do título do post são algumas que já tinha em mente há um bom tempo, por motivações diversas não muito bem definidas ainda. Quero alguma língua com um alfabeto diferente do latino.
Se for levar em conta o número de nativos que falam a língua, certamente chinês ser a primeira na minha lista. Para ler algo original dos gregos, que ainda quero ler muito, como disse num post antigo, acredito a melhor opo ser o grego mesmo (apesar que pretendo estudá-los lendo mais as traduações para o inglês, pois desconfio que ser mais provável achar algo melhor do que em português, além de ter mais livros e textos disponíveis gratuitamente na Internet em inglês). Uma terceira opção é o persa, mais por causa de uma amiga que tenho no Irã, que conheci pela Internet. Também porque ouvi algumas músicas iranianas que me pareceram legais. Ou seja, minhas motivações ainda estão pouco definidas.
Fui pesquisar agora pouco sobre outros alfabetos, para analisar outras possibilidades, e a Wikipedia tem um artigo interessante, que acabou me deixando com mais dúvidas, History of the alphabet. Talvez vou acabar escolhendo alguma língua oriental, vamos ver. A escolha do grego talvez seria muito ocidentocêntica. :-P Sobre o chinês, desconfio que poderão sugir cada vez mais e mais trabalhos interessantes produzidos na China e disponíveis na Internet, como já podemos ver através da lista de universidade chinesas no OpenCourseWare Consortium. Também tenho motivações toscas para escolher o chinês. Apesar de não parecer, tenho tataravós chineses (junto com toda a misturada européia) e a comida que mais gosto é a chinesa (pelo menos a ocidentalizada :-).
Se algum estuda alguma língua com algum alfabeto diferente do que estamos acostumados, gostaria de saber qual sua principal motivação. Quem sabe não acabo descobrindo algo legal que eu ainda no sei sobre essas outras línguas? :-)
Duas páginas boas com cursos gratuitos de várias lnguas: Free Online Language Courses e FSI Language Courses. Pesquisando na Internet deve existir muito mais.
Por que as pessoas só se revoltam quando ocorrem tragédias?
12 12UTC Outubro 12UTC 2009
(Publicado originalmente 18 de julho de 2007 em http://stoa.usp.br/tom/weblog/4778.html)
Quando vemos casos isolados de violência contra algumas poucas pessoas, ou tragédias em que algumas dezenas ou centenas de pessoas morrem, as pessoas não param de comentar sobre o assunto todas revoltosas, não pára de sair matéria na mídia, não param de tentar achar os responsáveis. Essas são as tragédias locais.
Por que não vemos a mesma revolta nas pessoas e repercussão quando ocorrem eventos que prejudicam toda uma sociedade, por exemplo, os absurdos na administração do dinheiro público que vemos a todo instante, cujas consequências podem ser a morte (lenta, é verdade) de milhões? Inclusive, até soa estranho usar o termo tragédia para esse caso, já que o desvio do dinheiro público não causa piedade ou horror em praticamente ninguém.
As tragédias acabam sendo capa de jornais e revistas durante meses e até anos, enquanto esses problemas que atingem milhões de pessoas, passadas algumas semanas, todo mundo esquece e sempre sai (se sai) apenas num cantinho do jornal.
Herege, peça desculpas ao seu professor!
12 12UTC Outubro 12UTC 2009
(Publicado originalmente 27 de setembro de 2007 em http://stoa.usp.br/tom/weblog/6943.html)
Apenas uma reminiscência que algumas leituras agora me fizeram lembrar.
Em 2004, na metade do meu mestrado em física de partículas elementares (mestrado fracassado, que entrarei em detalhes algum outro dia), pouco antes de partir para uma escola de verão que participei sobre física de neutrinos, em Trento, no ECT*, um evento me chocou. O professor Victor Rivelles enviou um email para a lista geral do departamento de física matemática, do IFUSP, reclamando dos alunos de pós-graduação que não iam nos colóquios do departamento. Apenas respondi ao professor que isso não era tão difícil de se compreender, além do fato consumado que nem os professores do IFUSP serviam (ainda não servem?) de exemplo aos alunos, pois frequentavam raramente os colóquios, palestras e seminários mais gerais do instituto de física da USP (não posso afirmar, não podia, nem nunca afirmei, sobre a frequência dos professores nos colóquios dos outros departamentos).
Para minha surpresa, minha então orientadora me chamou esse dia, pedindo que eu fosse me desculpar com professor Rivelles. Ela me disse que o professor Rivelles foi falar com ela (por que será que ele não veio falar diretamente comigo?), pois não tinha entendido meu email, já que meu nome não aparecia em nenhum dos livros de assinatura dos colóquios. Me explicando que eu não assinava os livros, por achar que não passava de mera formalidade, pois devíamos ir ao colóquios pelo interesse no assunto (coisa que eu ainda tinha muito na época), além de ter ido na maioria dos colóquios.
Mesmo assim, insistiram no pedido de desculpas.
Fui falar com o professor Rivelles e apenas repeti, em palavras, o que eu pensava sobre o assunto. Também expliquei para ele porque eu não assinava (quase nunca assinei – apenas quando minha orientadora me via nos colóquios do departamento, hehehe) e me parece (não ficou muito claro para mim o que ele pensou, portanto apenas parece) que ele compreendeu, apesar de não concordar comigo que eu não queria assinar o livro. Obviamente não pedi as desculpas.
Desculpas por que? Fiz algo errado? Falei alguma mentira?
Segue o email:
Re: IMPORTANTE: SOBRE OS COLÓQUIOS DO DFMA
- To: “Victor O. Rivelles” <>
- Subject: Re: IMPORTANTE: SOBRE OS COLÓQUIOS DO DFMA
- From: Everton Zanella Alvarenga <>
- Date: Thu, 29 Apr 2004 12:53:57 -0300 (BRT)
- Cc: Lista da Física Matemática <dfma-gen@fma.if.usp.br>, “Lista soc-gen (alunos do IFUSP)” <soc-gen@socrates.if.usp.br>, Lista do Cefisma <cefisma-lista@socrates.if.usp.br>
- Delivered-to: mailing list dfma-gen@fma.if.usp.br
- In-reply-to: <Pine.LNX.4.44.0404281304400.4744-100000@strings.if.usp.br>
- Mailing-list: contact dfma-gen-help@fma.if.usp.br; run by ezmlm
- Sender: Everton Zanella Alvarenga <>
Prezados professor Rivelles e demais,
de fato é lamentável, no entanto acredito que este seja um problema que
comece bem cedo, quando os alunos ingressam no curso de graduação.
Se vocês vissem o número de alunos que iam nos seminários voltados para os
próprios alunos de graduação, ficariam desolados. Inclusive, neste ano,
_nenhum_ aluno tomou a iniciativa em continuar organizando os seminários
(http://euclides.if.usp.br/~seminar) [(1) correção desse link no final do post].Talvez porque alguns alunos que
acham que estão fazendo alguma coisa preocupam-se ou com o “movimento sem
terra” ou querem que os professores passem mais horas copiando os livros
na lousa (ao alunos, minha sugestão é que os docentes dêem 2 créditos ao
invés de 6, sobrando mais tempo para vocês estudarem e discutirem física,
e NÃO política hein).
Talvez seja interessante desde cedo os professores falarem sobre isso para
os alunos de graduação. Senão teremos que ter listas de presenças para
“estimular” os alunos a irem, ou quem sabe, atrai-los meramente pela fome
do estômago e não pela da mente. Inclusive, este fenômeno, acredito eu,
ocorre numa escala muito maior aqui no IFUSP. Basta vermos a quantidade de
professores que tem o hábito de ir nos colóquios de quinta. Talvez existam
alguns que _nunca_ foram a eventos desta natureza.
Sobre as perguntas, concordo que deveria haver mais discussões/críticas no
final/durante os colóquios/seminários por parte dos alunos, mas eu
pergunto, qual é o exemplo que os professores/pesquisadores do IFUSP dão?
Sobre a página que o senhor mandou, perceba como as coisas estão bem
_centralizadas_ e organizadas. Veja como a página é bonita e bem
estruturada. Este endereço é apenas um exemplo entre inúmeros que já vi
nas páginas de institutos de física do exterior. Será que é preciso de
dinheiro para isso?
Caso exista quórum para me ajudar, fico a disposição para fazermos uma
página para os seminários/colóquios do departamento. Cordialmente,
Everton.
On Thu, 29 Apr 2004, Victor O. Rivelles wrote:
> Caros colegas e estudantes do DFMA,
>
> É lamentável que a audiência dos colóquios esteja tão baixa. No segundo
> semestre de 2003 a média foi de 27 pessoas por seminário enquanto que
> neste semestre a média tem sido de 19! O último colóquio, em 27 de abril,
> foi assistido por apenas 11 pessoas, dos quais 7 eram estudantes!!!
>
> Que alguns professores não compareçam por não sentirem-se atraídos pelo
> tema do colóquio, ou por terem compromissos no mesmo horário, é, até certo
> ponto, compreensível. Por outro lado, a atitude apática dos estudantes que
> não comparecem aos colóquios é aterradora. Imaginar que é perda de tempo
> assistir a um seminário que não tem nada a ver com sua própria tese e
> achar que é melhor resolver uma lista de exercícios durante esse tempo, é
> ledo engano. A formação de um físico vai muito além de ser capaz de fazer
> listas de exercícios e compreender o que escreveu na tese. É necessário
> situar o problema da tese dentro de um contexto mais geral, que envolve
> uma visão detalhada de sua linha de pesquisa e a inserção dessa linha de
> pesquisa dentro das grandes tendências da física contemporânea. Caso
> contrário, faz-se do trabalho de pesquisa uma mera formalidade, algo a ser
> executado apenas para obter-se um título ou mais uma publicação. Além
> disso, é necessário preparar o terreno para o pós-doutorado, para que este
> não vire uma mera extensão do trabalho de doutorado. Para isso, é
> necessário aprender novas técnicas, novas maneiras de abordar o mesmo
> problema e visualizar conexões com outros problemas. Sem isso, o
> pesquisador fica restrito, sem idéias, incapaz de produzir resultados
> interessantes. Parece, entretanto, que muitos estudantes não se dão conta
> de que os colóquios oferecem os passos iniciais para se atingir esses
> objetivos. Não percebem que essa é a maneira mais rápida e econômica de
> adquirir novos conhecimentos que serão de grande utilidade durante e após
> o doutorado. Tenho feito um grande esforço para que os colóquios sejam
> acessíveis a todos, mesmo aos alunos que acabaram de ingressar, pedindo
> aos seminaristas para não darem enfâse à parte técnica. A grande maioria
> dos colóquios têm sido nesse estilo. Tudo pronto e fácil para ser
> digerido. Parece, porém, que o apetite científico ainda precisa ser
> estimulado.
>
> Também surpreende-me a atitude dos estudantes de outros estados. Na grande
> maioria dos departamentos de física fora de SP é extremamente difícil
> manter um série regular de seminários. O principal motivo é o custo
> envolvido. O IFUSP é uma das poucas exceções, não só pelos colóquios do
> departamento como também pela grande variedade de seminários que são
> ofertados em todo o instituto. E isso só vai ser percebido quando os
> estudantes retornarem aos seus lugares de origem, ou quando os recém
> doutores nativos, que nunca sairam de SP, obtiverem um emprego em outro
> estado. Uma oportunidade rara está sendo desperdiçada! E acrescente-se,
> financiada com recursos públicos.
>
> Muitos devem estar imaginando que estou exagerando e supervalorizando os
> colóquios. Se voce pensa assim dê uma olhada no primeiro mundo. Não é
> necessário ir até lá, a internet está aí para isso. Veja o MIT, por
> exemplo:
>
> http://www-ctp.mit.edu/seminars.html
>
> O colóquio para estudantes é chamado “CPT Lunch Club”. Horário: meio-dia.
> Porque meio dia? Não há aulas nesse horário de forma que todos podem
> assistir. E o almoço? Para que ninguém use isso como desculpa o almoço
> fica por conta do MIT. Free lunch!!! Eles podem arcar com essa despesa;
> nós, ainda não.
>
> A pesquisa científica é uma atividade extremamente recompensadora quando o
> objetivo está centrado na elaboração de perguntas e na busca de respostas,
> na compreensão do conhecido e na descoberta de novos horizontes. Por outro
> lado, torna-se extremamente entediante quando usada para outras
> finalidades. Se voce sofre de sonolência durante um colóquio fique
> alerta; talvez seja a hora de reavaliar seus objetivos. Afinal, como disse
> Einstein “Most of the fundamental ideas of science are essentially simple,
> and may, as a rule, be expressed in a language comprehensible to
> everyone.”
>
> Aguardo todos no próximo colóquio! Cordiais saudações,
>
> Victor Rivelles
>
********************************************************
Universidade de São Paulo, Instituto de Física (IFUSP)
Departamento de Física Matemática
Everton Zanella Alvarenga everton@fma.if.usp.br
Página: http://fma.if.usp.br/~everton
********************************************************
Fonte: http://fma.if.usp.br/lists/dfma-gen-2004/msg00032.html
(1) Correção do link: atualmente em
Animals — Animais
10 10UTC Outubro 10UTC 2009
I think I could turn and live with animals,
they are so placid and self-contained
I stand and look at them long and long.
They do not sweat and whine about their condition,
They do not lie awake in the dark and weep for their sins,
They do not make me sick discussing their duty to God,
Not one is dissatisfied,
not one is demented with the mania of owning things,
Not one kneels to another,
nor to his kind that lived thousands of years ago,
Not one is respectable or industrious over the whole earth.
—
Creio que poderia transformar-me e viver com os animais,
eles são tão calmos e donos de si.
Detenho-me para contemplá-los sem parar.
Eles não anseiam nem se queixam da própria condição,
Eles não passam a noite em claro, remoendo as suas culpas,
Nem me aborrecem falando de sua obrigações para com Deus,
Nenhum deles de mostra insatisfeito,
nenhum deles se acha dominado pela mania de possuir coisas,
Nenhum deles fica de joelho diante de outro,
nem diante da recordação de outros da mesma espécie que viveram há milhares de anos,
Nenhum deles é respeitável ou desgraçado em todo mundo.
Foto: Adrian Jones
Sou um criminoso
30 30UTC Setembro 30UTC 2009
Você já trocou algumas músicas com seus amigos? Fez alguma cópia de um filme passando na TV para assistir mais tarde? Fez alguma cópia de um DVD ou CD que você comprou? Ao invés de ir até a biblioteca mais próxima, leu no seu computador algum livro em formato eletrônico que estava a um clique de distância? Deixou na pasta da sua disciplina um livro para seus alunos fazerem uma cópia? Já copiou algum livro ou trecho de livro, porque seria economicamente inviável comprar todos os livros necessários para um determinado fim? Usou algum artigo científico que não constava na lista de periódicos de sua universidade? Até mesmo copiou algum poema sem pedir autorização para o autor, usando num cartão romântico para sua pessoa querida? Usou algum avatar de alguma figura que achou na Internet e nem sequer notificou o autor? Contou alguma piada sem se preocupar com quem a criou? Usou alguma figura que achou na Internet ou revista para algum trabalho do colégio ou faculdade? Ou você é daqueles que roubou algo da lista de David Weinberger?!
Se respondeu sim a alguma dessas perguntas, você juntou-se ao grupo dos criminosos do “copyright”. Vou tirar uma foto mais tarde e enviar para eles.
(Publicado originalmente dia 13 de setembro de 2008 em http://stoa.usp.br/tom/weblog/31970.html)
USP criar portal para discutir problemas da universidade
29 29UTC Setembro 29UTC 2009
Em mais uma de suas iniciativas, a USP sai na frente. Diversos professores do Núcleo de Políticas Públicas da USP criaram um site onde professores serão convidados a fazer análises fundamentadas e serão aceitas contribuições espontâneas de membros da comunidade (será que incluem ex-alunos?). Veja aqui a carta enviada pelos professores explicando melhor o site, Um espaço para o debate sobre a USP, onde destaco (grifos meus):
[...]
As estruturas tradicionais de organização e gestão das universidades mostraram-se inadequadas para operar com eficiência neste novo cenário mundial e para oferecer o suporte necessário à atuação de docentes e pesquisadores. Reformas estão em curso em quase todos os países. Em comparação, nós, na USP, parecemos navegar à deriva, presos a soluções e organizações que estão se tornando rapidamente obsoletas e sem lideranças que nos permitam definir um projeto compatível com a magnitude de nosso potencial social e intelectual.
A última greve que ocorreu na USP parece que fez aflorar a insatisfação com os rumos que a universidade vem seguindo, a qual se extravasou em cartas, entrevistas, protestos e manifestos divulgados pelos jornais.
A presença freqüente de professores e alunos na imprensa tem um papel importante na vida universitária mas, ao mesmo tempo, indica um problema que não podemos mais a ignorar: o fato de que a comunidade acadêmica não encontra, dentro da USP um canal de expressão de suas críticas e de suas insatisfações. Para se fazer ouvir dentro da universidade é preciso falar de fora dela. Isto revela a falência do sistema de representação que regula a participação da comunidade acadêmica na gestão da universidade, o qual não consegue captar, traduzir, expressar e colocar em debate as posições e os anseios da comunidade universitária. Isto se reflete nos órgãos de gestão, os quais se mostram incapazes de reconhecer a gravidade da crise, de diagnosticar os problemas que precisam ser enfrentados e de definir os rumos que a universidade deve tomar. As autoridades universitárias com poucas exceções, tem se eximido de sua responsabilidade e dos seus mais importantes compromissos institucionais, como a renovação dos programas de ensino, as iniciativas para ampliar o escopo, os objetivos e o financiamento da pesquisa, e a interação e interlocução com a sociedade, cujos grandes dilemas nem sempre encontram a necessária repercussão nas atividades de investigação e de extensão d universidade.
[...]
Curiosamente isso me lembrou uma apresentação sobre redes sociais, num workshop organizado ano passado pela reitoria para discutir o futuro da USP. Preciso comentar? :-D
Agora me bateu uma forte dúvida: quem decidirá quais textos deverão ser publicados ou não?
Juno: sugestão para quem enfrenta o problema da gravidez durante a adolêscencia
29 29UTC Setembro 29UTC 2009
Se você é uma jovem adolescente que acaba de se deparar com o problema da gravidez precoce e chegou até aqui, deixo logo minha sugestão, caso não leia até o final do texto: assista ao filme Juno (crítica em português). Certamente muitas de vocês já devem ter ouvido as mais absurdas opiniões, como “Engravidou, agora você é responsável pelos seus atos.” Quero deixar claro que, apesar de considerar um erro um jovem casal gerar uma criança, não acho que eles devam, como uma punição moral, se sentirem culpados pelo descuido e, num país como o nosso, muito provavelmente ignorância ou falta de perspectiva a longo prazo. Me refiro a ignorância não apenas sobre métodos contraceptivos, como também, principalmente, sobre a responsabilidade de criar uma criança. Como pode alguém achar que um adolescente é capaz de dar os cuidados necessários que toda criança merece? Acredito que quem pensa que sim não pode estar usando a razão e quer, devido ao seu senso de justiça moral, impor a punição nos adolescentes, quando, na verdade, o principal prejudicado é o novo ser que está por vir a nascer.
Em relação ao filme, logo no começo, quando a adolescente de 16 anos, Juno, representada por Ellen Page (que atuação simpática!), uma das primeiras coisas que ela pensa em fazer é abortar. Chega a ir numa clínica de aborto, mas desiste (apesar de eu ser a favor da possibilidade de escolha de aborto pela mãe, não vou entrar no mérito da questão aqui, ainda mais por viver numa sociedade como a nossa, onde crenças dogmáticas preponderam). Percebe-se que Juno, ao querer contar para os pais que está grávida, demonstra um enorme sentimento de culpa. A reação dos pais, após descobrirem o que ocorrera, é um tanto amigável. Outra atitude que acho importante para os pais numa situação como essa: apoiar seus filhos e não crucificá-los cruelmente, os ajudando a tomar a melhor decisão diante do já ocorrido.
Abandonada a idéia do aborto, Juno decide doar sua criança. Como num passe de mágica (comum a um filme), logo encontra um casal e vai, mais tarde, conhecê-los para certificar que são as pessoas adequadas para cuidarem da criança. Atitude louvável, na minha opinião, para quem é contra o aborto. Se temos na sociedade pessoas com condições financeiras, psicológicas e que possam dar amor para uma criança, porém enfrentam dificuldades para gerar um bebê, por que não dar essa oportunidade a eles? Não vejo o ato da doação no presente contexto apenas como uma fuga do problema (cuidar de uma criança ainda imaturos), mas como a melhor solução para o problema.
O desenrolar do filme é muito bom. A graciosa atuação de Ellen Page é muito divertida. Escolheram uma ótima atriz para o papel da adolescente que enfrenta o problema junto com o seu amigo Paulie, o pai da criança. Alguns obstáculos enfrentados pelo casal que vai receber a criança, como a incerteza de que Juno vai realmente doar a criança, também são interessantes. Para um casal que se gosta e quer ter filhos, como deve ser chata a situação de criarem uma expectativa de adotar alguma criança, mas acabarem recebendo um não. Apesar de que, na minha opinião, para se adotar não é necessário que a criança seja apenas recém nascida.
Escrevi um dia desses que, atualmente, não cogito, de forma alguma, ter um filho meu. Como tentei argumentar sobre meu ponto de vista, para que ter filhos? Por que não adotar?
Fica aqui minha sugestão dessa divertida comédia-dramática, com uma trilha sonora bem bacana e, principalmente, sobre um tema tão importante abordado de forma inteligente. Importante pois, afinal, termos tantas crianças com cuidados aquém do que merecem é o começo do mundo tão cruel em que vivemos.
(Publicado originalmente 25 de março de 2008 em http://stoa.usp.br/tom/weblog/19102.html)
Para que ter filhos? Por que não adotar?
29 29UTC Setembro 29UTC 2009
(Publicado originalmente 8 de fevereiro dee 2008 em http://stoa.usp.br/tom/weblog/15577.html)
Um questionamento sem muita reflexão sobre a resposta, apesar de eu ter uma opinião formada atualmente, que pode mudar,
certamente, como já mudou. Como sempre gostei de crianças, antigamente eu pensava em algum dia ter uma família e filhos. Isso na época que pouco lia jornais, menos conhecia os humanos e tinha uma visão mais otimista quanto ao rumo do planeta. *risos* Acredito que deve ser uma experiência fantástica cuidar de uma criança filha minha, apesar das dificuldades que devem existir e eu nem imagino quais são, pois não sou pai. Que seja, isso é apenas especulação.
Agora, mesmo que eu decida algum dia ter uma família com filho e tenha condições financeiras para ajudar no sustento dessa família (certamente minha esposa também ajudaria, caso contrário não seria minha esposa :-), por que ter um filho meu ao invés de adotar? Se temos um mundo como o nosso, com tantas coisas ruins, para que vou criar mais um ser consciente de tudo isso. Sei que há muita coisa boa, fato, mas tenho dúvidas se elas compensam a quantidade de coisas ruins (isso é um assunto que pretendo não tocar agora, é muito complicado!). Pode ser uma visão muito pessimista. Acho que não.
Além disso, de gerar mais um ser consciente, nascem (e nascerão! :-() tantas crianças filhas de pais irresponsáveis e ignorantes, que ou serão abandonadas, ou terão vidas miseráveis, seja financeiramente, seja sem o bom trato que toda criança deveria ter. Sobre o que é bom trato, isso me parece um pouco intuitivo, mas acho que não é bem assim para a maioria das pessoas. Basta vermos o número de crianças que vemos trabalhando para seus pais, as que apanham e tantas outras mazelas que vemos crianças sofrerem.
Levando esses dois fatores em conta, colocar mais alguém no mundo e já existe muita gente que precisa de uma família decente, não seria mais sensato adotar crianças? Qual seria a justificativa para ter um filho, caso eu queira algum dia adotar uma família? A justificativa ‘quero ter um filho com meu gene’ tem algum sentido? Não para mim.
Pensei nisso esses dias, apesar de eu saber que ainda vai demorar uns bons anos para eu chegar na situação ideal, na minha opinião, para constituir uma família. Apenas mais um pensamento aleatório.
Créditos
Foto tirada por carf (clique na foto para ampliá-la).
Jamendo: ouvir músicas gratuitas com licenças Creative Commons
29 29UTC Setembro 29UTC 2009
(Publicado originalmente dia 3 de setembro de 2008 em http://stoa.usp.br/tom/weblog/31328.html)
Apesar de suas existência há mais de 3 anos, fiquei sabendo sobre a existência do Jamendo apenas
recentemente, durante a apresentação do Sérgio Amadeu, nos recentes debates sobre direitos autorais e acesso à cultura, na USP Leste.
Jamendo é um site que oferece aos artistas a possibilidade de distribuir suas obras sob licenças do tipo Creative Commons ou Art Libre. O que isso significa? Significa que o uso dessas obras, tanto para ouvir, quanto para produção de obras derivadas, égratuita! Além de ouvir diretamente no site, você pode baixar diretamente as músicas de seus mais de 11 mil álbuns, nos formatos MP3, que todo mundo está familiarizado, ou Ogg. Os álbuns também podem ser baixados via BitTorrent. Segundo Miguel Caetano, há pouco mais de um ano e meio atrás era um pouco mais de 2000 álbuns. O crescimento foi impressionante.
Os artistas podem receber doações e dividirão o lucro dos donos do site com os anúncios. Certamente vou doar futuramenet para as bandas/artistas que mais gostar. Será que teremos alguma produção por alguma gravadora de algum álbum no Jamendo? Seria uma experiência interessante. Um videozinho bem bacana explicando sobre a licença Creative Commons para quem nunca ouviu falar:
É incrível como um sistema desses permitirá conhecermos outros artistas e outras culturas, que, se dependêssemos do sistema tradicional de produção musical, nunca chegaríamos a conhecer! Como estou lendo Free Culture, de Lawrence Lessig (está sob licença Creative Commons, portanto pude converter em LRF para ler no meu leitor de ebooks), a notícia sobre esse site foi fantástica. Me impressiona como os verdadeiros criadores, não só de música, como também de livros, filmes, trabalhos científicos e outras obras, ficam a mercê de empresas cujo objetivo é apenas enriquecer, custe o que custar. Agora com uma produção e distribuição cada vez mais fáceis para os criadores, devido aos avanços tecnológicos recentes, vamos ver para onde as coisas vão caminhar.
Alguns álbuns e artistas que gostei nesses poucos dias que estou vasculhando o Jamendo:
- Unama (o que mais gostei até agora!)
- Opus Solemnis e Les adieux à Blane-Est, por Ehma
- Galdson
- Project Divinity
- Street spirit
- Avel Glas
- Slim
Why Portuguese is not an official language of the United Nations?
29 29UTC Setembro 29UTC 2009
(Originally posted on January 28th 2009 at http://stoa.usp.br/tom/weblog/41554.html)
Today, after Virginia Cram-Martos announced that the United Nations Office in Geneva is looking for a student to work there, I asked to the people of the Open Educational Resources mailing listabout Portuguese not being considered as an official language of the United Nations. Nowadays, the six official languages of the United Nations are Arabic, Chinese, English, French, Russian and Spanish.
Here is my email:
Hi,
2009/1/27 Virginia Cram-Martos <Virginia.Cram-Martos AT unece.org>:
> They are ideally looking for someone who speaks English plus one of the
> following: Arabic, Chinese, Russian or Spanish. French is also useful for
> daily life here (Geneva is a French-speaking city/region). The other
> languages are needed because they would like the intern to help them
> increase the materials in their database in these languages (the current
> selection of materials in English and French being much more complete).I’m going to submit my CV to the email specified in the attached
document, but I want to ask you all another thing which called my
attention (it’s not the first time). Why Portuguese is not an official
language of United Nations? According to this listPortuguese is the 6th most spoken language in the World. This list says there are around 178 million speakers, but I think there are even more, since Brazilian population is around 190 million. Sure I’m not only considering the number of speakers, but also Brasil importance on the international scenario.
I’m asking here because maybe someone knows the answer or for whom should I ask this (I’m going to send an email later to someone at UN and I’ll look for an email in their website). If I’m wrong, sorry.
Wondering to myself. How much bureaucratic is UN for such kind of change (or improvement)? How much space this organization has for Portuguese speakers? (I must say in Brazil people don’t speak Spanish, besides similarities in both languages, and I read a lot of people abroad thinking we do. Also. English is spoken more often by middle class to rich people, a minority here.)
It seems UN has great influence by economic powers in their decisions, but even so, Brazil is an emerging country and, in my humble opinion, UN should consider an improvement in their communication with Portuguese speakers <http://en.wikipedia.org/wiki/Portuguese_language>.
I hope my email didn’t sound as some kind of nationalism or
patriotism. It’s really a curiosity and an important issue, in my
opinio (maybe for other Portuguese speakers, as well).Hugs,
Tom
“Patriotism is your conviction that this country is superior to all
other countries because you were born in it.”~ George Bernard Shaw
“Patriotism is the willingness to kill and be killed for trivial reasons.”
~ Bertrand Russell
Virginia’s answer (note that this is a very unofficial note about the official UN working languages):
Official UN working languages
Dear OER colleagues,
In response to the discussion about languages that my first message about an Intern has generated, I would like to offer this short and very unofficial note about the official UN working languages which are those used by our training resource centre here in Geneva. These are : Arabic, Chinese, English, French, Russian and Spanish. The working languages were decided by the General Assembly where all countries take part. The General Assembly could also add or subtract languages in the future. For budgetary and humanitarian reasons, I think it is unlikely that any more will be added.
- Budgetary reasons because it is very expensive to publish, translate and interpret into multiple languages, keeping in mind that the additional cost for each new language is exponential because for each language you add, you must translate into it (and from it ) for all of the other languages.
- Humanitarian reasons because the UN has a very restricted budget (much smaller than that of New York City) and the money that it would need to spend in order to use more languages is money that it (and its member States) would not be able to spend on development and humanitarian work.
The designation of official working languages is a practical issue to facilitate the work of the UN. I am sure that the General Assembly and the UN secretariat do not intend the designation of official working languages as anything more than a practical measure to facilitate the UN’s work. It is not in any way meant to reflect on the importance, or the beauty, of any of the hundreds of languages (widely spoken or spoken by only a few) that are not official working languages. The UN believes strongly in multi-lingualism, one evididence of this being, if I am not mistaken, UNESCO’s mandate is to promote and preserve native languages and multilingualism in the world.
I hope that the above is useful and provides a slightly better understanding of the issue.
Virginia Cram-Martos
Since my email was off-topic, some people seemed to dislike it and I’ve been informed that many members of this mailing list have very difficult and expensive connectivity, I decided to publish on my blog our small discussion.
I’ve searched through Internet about this issue (Wikia/Google) and found some interesting additional information:
- Mr. Carlos Dos Santos, Ambassador and Permanent Representative of the Republic of Mozambique to the United Nations, begging for a radio in Portuguese to divulge information about UN and activities within the Lusophone Community (New York, 2 May 2001).
- Movement to make Portuguese an official language of the UN
- Português pode ser língua oficial na ONU (17 Dec 2005)
- Petição para tornar oficial o idioma português nas Nações Unidas (Petition to make Portuguese an official language of the United Nations.) – 56552 signatures on 28th Jan 2008.
Remaining questions
Beyond what I said, I’ve read some (similar) justifications and some additional challenges to make Portuguese an official language.
I still have some questions and, thinking about what have been said, I’m not sure if it would be important to make Portuguese an official language:
1. Would be useful to have United Nations documents read by Portuguese speakers? Maybe a person who doesn’t speak one of the official languages could ask about UN usefulness at all (or even one speaker could ask as well?).
2. If “the designation of official working languages is a practical issue to facilitate the work of the UN”, is it really necessary to have all these six languages?
3. Virginia talked about the budgetary reasons. I’ll search for information about this later, if it exists publicly — if not, it should, I think. Maybe she is right, but it would be interesting to compare how much money is spent on army around the world with the money delivered to UN.
I’m going to think and research about this issue later. If you know or have something to add, please, feel free to comment. :-)




